
Preço da carne dispara com exportações e oferta limitada no campo
Tony Oliveira/Trilux
As exportações em alta, motivadas principalmente pela voracidade do mercado chinês, elevou ainda mais os preços da carne bovina para o consumidor brasileiro. Em abril, o preço da carcaça casada de boi, que é uma unidade padrão de comercialização de carne bovina entre os frigoríficos, açougues e supermercados, registrou o maior valor dos últimos 25 anos.
De acordo com dados deflacionados pelo IGP-DI, a média de preços, em abril, atingiu R$ 25,23 por quilo. O resultado representa um avanço expressivo de 3,74% em comparação a março e uma alta acumulada de 9,95% no primeiro quadrimestre deste ano.
A valorização reflete um desequilíbrio entre a oferta limitada de animais prontos para o abate e uma demanda externa que permanece aquecida desde o início de 2026. Pesquisadores do Centro de Estudos de Pesquisas Avançadas (Cepea/Usp) indicam que o repasse da alta do boi gordo para o valor da carne foi o principal motor desse movimento no mercado físico.
A análise mostra demonstra que o aumento não foi uniforme para todos os cortes, mas concentrou-se especialmente no dianteiro - acém, pescoço, peito, paleta, músculo e cupim - e na ponta de agulha, como costela e vazio. Em abril, o preço do dianteiro subiu 5%, atingindo a média de R$ 22,55/kg. Já a ponta de agulha teve uma valorização ainda maior, de 6,9%, fechando com média à vista de R$ 21,12/kg.
Em contrapartida, os cortes do traseiro, as chamadas “carnes de primeira”, apresentaram uma elevação mais contida, na ordem de 3,8%. Essa variação distinta entre as partes da carcaça casada reforça como a demanda interna e externa influencia cada segmento da produção.
Perspectivas para a entressafra
Para os próximos meses, o mercado deve ser norteado pelo ritmo das exportações, com foco especial nas compras realizadas pela China, que está próxima de atingir, em julho, a cota de exportação de 1,1 milhão de toneladas. O Cepea ressalta que a evolução dos preços também dependerá diretamente das condições de oferta de animais terminados, que é o gado já pronto para ser comercializado, e da reposição dos rebanhos.
Esses fatores técnicos serão cruciais durante o ciclo da entressafra, período entre safras onde a disponibilidade de pastagens diminui e o custo de produção tende a subir. A tendência é que os patamares de preços se sustentem elevados, embora ajustes pontuais de curto prazo possam ocorrer conforme as oscilações da demanda internacional.
A relação de troca, que mede o poder de compra do pecuarista frente aos seus custos, também será monitorada de perto. Especialistas avaliam que o cenário de oferta restrita deve manter a pressão de alta, consolidando abril como um marco histórico para a pecuária brasileira em termos de valorização real do produto.
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