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Recuperação judicial no agronegócio sobe 21,9% no 1º trimestre

Indicador da Serasa Experian mostra que pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 requisições no início do ano

VIVIANE TAGUCHI

12/08/2026 • 11:05 • Atualizado em 12/08/2026 • 11:06

Juros altos, seguro rural deficiente e clima levaram  setor a se endividar

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Wenderson Araujo/Trilux

O agronegócio registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025. Os dados são do indicador da Serasa Experian, datatech que reúne requisições feitas por produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia do setor.

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Conforme a análise do head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, os resultados no campo no início deste ano refletem a continuidade de gargalos operacionais e financeiros. "O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado", avalia Marcelo Pimenta.

Produtores com CNPJ lideram pedidos no setor

Entre as categorias analisadas, os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica registraram o maior volume e a maior alta anual de solicitações. Foram 196 pedidos entre janeiro e março de 2026, montante 73,5% superior aos 113 requerimentos do primeiro trimestre de 2025.

No recorte por segmento produtivo dessa categoria, o cultivo de soja concentrou o maior número de pedidos, com 137 registros. Em seguida aparece a pecuária de corte, com 42 solicitações voltadas à criação de bovinos.

Na divisão por Unidades Federativas, considerando a soma de produtores físicos, jurídicos e empresas do setor, Mato Grosso lidera o ranking nacional com 135 recuperações judiciais no período. Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul aparecem na sequência do levantamento.

Por outro lado, o grupo de produtores rurais pessoa física apresentou leve recuo nas requisições. Foram 182 pedidos no primeiro trimestre de 2026, o que equivale a uma queda de 6,7% em relação aos 195 processos abertos nos três primeiros meses de 2025. Na divisão por porte, os agricultores e pecuaristas classificados como "sem propriedades" — grupo que engloba arrendatários e integrantes de grupos familiares — lideraram as requisições na categoria, com 60 casos.

Empresas da cadeia e o uso de inteligência artificial

As empresas com atividades ligadas à cadeia do agronegócio contabilizaram 96 pedidos de recuperação judicial nos três primeiros meses do ano. O índice representa um avanço de 18,5% perante os 81 registros do primeiro trimestre de 2025. As agroindústrias de transformação primária lideraram o grupo, somando 23 requisições, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados (19) e pelos serviços de apoio à agropecuária (15).

Para antecipar crises e auxiliar na concessão de crédito, a Serasa Experian utiliza ferramentas preditivas baseadas em inteligência artificial, como o Agro Score. A solução analisa particularidades do setor e identifica sinais de deterioração financeira com meses de antecedência.

"Quando a avaliação considera as particularidades da atividade rural, é possível reconhecer sinais que uma análise genérica pode não capturar. A combinação de dados, inteligência artificial e modelos preditivos permite diferenciar os níveis de risco e tornar a concessão de crédito mais segura", explica Marcelo Pimenta.

Análises da datatech indicam que os produtores pessoa física que recorreram à recuperação judicial já apresentavam pontuação média no Agro Score significativamente inferior à média do setor três anos antes da formalização do pedido na Justiça.