O Haiti, que enfrenta o Brasil nesta sexta-feira (19) na Copa do Mundo, vive uma crise humanitária alarmante que afeta diretamente a segurança alimentar de sua população. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de cinco milhões de haitianos sofrem com a insegurança alimentar em um país onde a agricultura é a principal base da economia, empregando cerca de dois terços da força de trabalho.
Apesar das adversidades, especialistas afirmam que o país caribenho possui potencial para atingir a autossuficiência na produção de alimentos. "O país tem capacidade de atingir a autossuficiência", afirmou Andy, haitiano e mestrando em Ciências Sociais na Universidade de Brasília, que realiza pesquisas sobre a crise humanitária em sua nação.
Ele relata que a agricultura de subsistência, especialmente o cultivo de banana, milho e feijão, sempre foi a base da alimentação em sua família. No entanto, a realidade atual é marcada pela instabilidade política e social, que compromete o setor.
A violência no país, agravada pela ação de gangues armadas, tem provocado o deslocamento de milhares de pessoas e impedido o acesso a áreas produtivas importantes. "Hoje em dia temos uns 1.500, 1.000 deslocados dentro do país", lamentou o pesquisador, acrescentando que vales irrigados e regiões com grandes lagos estão sob controle dessas gangues, que frequentemente atacam os camponeses.
Cooperação técnica com o Brasil
O Haiti estabeleceu uma forte parceria com o Brasil, especialmente após 2004, quando o governo brasileiro passou a liderar a missão de paz da ONU no território haitiano. Desde então, foram implementados diversos projetos de cooperação técnica, com foco em transferência de tecnologia para produção de hortaliças e instalação de cisternas para captação de água da chuva.
Ao longo de quase uma década, foram desenvolvidos 17 projetos, mas a instabilidade local permitiu a conclusão de apenas cinco deles. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) atuou na revitalização de fazendas e na promoção da segurança alimentar, com destaque para o apoio à produção de verduras e legumes na região de Kenscoff.
Futebol e esperança
Mesmo diante de um cenário de crise e insegurança, o futebol permanece como um importante elemento cultural e uma fonte de esperança para a população haitiana. "A gente, todo mundo torcia pelo Brasil. Na minha casa é o Brasil, não é?", contou Andy, ressaltando o entusiasmo com que o país acompanha as partidas da seleção brasileira.
O relato de Andy reforça que, apesar das grandes dificuldades humanitárias enfrentadas, o Haiti ainda busca em laços de cooperação internacional e no esporte formas de vislumbrar um futuro com mais estabilidade e dias melhores.
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