Com a chegada das Festas Juninas, o tradicional licor de frutas tropicais se destaca nas ruas históricas de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A cidade se transforma em um destino movimentado para os apreciadores da bebida, que vem sendo produzida há gerações e atualmente está em processo para se tornar patrimônio cultural imaterial da Bahia.
Durante os meses de maio e junho, o município registra uma produção de cerca de 500 mil litros de licor. O produto, que mistura sabores e memórias afetivas, é responsável por impulsionar a economia local e garantir mais de mil empregos diretos na região.
Uma das fábricas mais tradicionais da cidade está em funcionamento há mais de 100 anos e segue sob comando da terceira geração de uma mesma família. Mesmo com a modernização parcial dos equipamentos, o processo de produção permanece, em sua maior parte, artesanal. "São 100 mil litros, né? E a gente tenta, né? Fazer com que a cidade ganhe um movimento, trazendo renda", relatou Daniela, representante da família de produtores.
A tradição do licor movimenta não apenas a economia, mas também o turismo local. Visitantes de diferentes regiões do país se deslocam para Cachoeira durante os finais de semana de junho, em busca de experiências como a rota do licor. "Todo ano a gente reserva um domingo, final de semana, para vir para Cachoeira, experimentar, né? Os melhores de coisas, fazer a rota do licor nesse período de junho, que é o que a gente mais vende, a gente ultrapassa", afirmou Daniela.
Na zona rural de Cachoeira, a produção do licor acontece em ritmo diferenciado, mas igualmente repleto de história. Angelina, conhecida como Tia Ném, iniciou a fabricação da bebida após se aposentar e hoje, aos 101 anos, celebra o sucesso do seu trabalho. "Agradecimento a Deus, né? Pelo meu trabalho. É e todos as pessoas que me acompanham", disse Angelina.
Além de abastecer o mercado interno, o licor de Cachoeira carrega o nome da cidade para outros estados e até para o exterior. Aos finais de semana, turistas procuram conhecer as fábricas e apreciar o produto, consolidando a bebida como símbolo cultural e econômico do município baiano.
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