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Vírus nipah é transmitido por espécie de morcego chamada de Raposa Voadora

As raposas voadoras não existem nas Américas; foco no Brasil segue no controle do morcego-vampiro

Da redação
DA REDAÇÃO

26/01/2026 • 17:07 • Atualizado em 26/01/2026 • 17:07

Morcego comum no Paraná: espécies que vivem no Brasil não são vetores de Nipah

Morcego comum no Paraná: espécies que vivem no Brasil não são vetores de Nipah

Tatiane Dombroski/ Sesa

Resumo

O surto do vírus Nipah na Índia gerou preocupação sobre a transmissão por morcegos, mas o reservatório principal do Nipah, o morcego do gênero Pteropus, não existe nas Américas, enquanto a raiva no Brasil é transmitida pelo morcego-vampiro Desmodus rotundus, que possui hábitos e tamanho distintos.

A transmissão do Nipah ocorre pelo consumo de frutas contaminadas por morcegos asiáticos, enquanto a raiva é transmitida por mordedura de morcegos hematófagos brasileiros; não há registros do Nipah no Brasil devido à ausência do hospedeiro natural, mas o controle da raiva é rotina na pecuária nacional, com vacinação e monitoramento de colônias.

A biosseguridade nas propriedades exige seguir recomendações de órgãos oficiais, evitando contato direto com morcegos e acionando o serviço de defesa agropecuária em casos suspeitos, além de manter o monitoramento do fluxo internacional para impedir a entrada do vírus Nipah no país.

O surto de vírus Nipah, na Índia, nas últimas semanas, trouxe à tona dúvidas sobre os morcegos presentes no Brasil. Embora ambos os vírus possam ser transmitidos por esses animais, o reservatório principal do Nipah é uma espécie chamada popularmente de Raposa Voadora, diferente do transmissor da raiva comum em território brasileiro, comum nas áreas rurais e urbanas.

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No agronegócio e na saúde pública, é fundamental diferenciar as espécies para aplicar as medidas de biosseguridade corretas. O conhecimento técnico evita o pânico desnecessário sobre a fauna local e garante a proteção do rebanho e dos trabalhadores rurais.

Espécies distintas e hábitos alimentares

O vírus Nipah é carregado por morcegos do gênero Pteropus, conhecidos popularmente como raposas-voadoras. Eles são morcegos frugívoros (que se alimentam de frutas) de grande porte, encontrados principalmente na Ásia, África e Oceania. É importante destacar que esses animais não existem nas Américas.

As raposas-voadoras são morcegos frugívoros (comem frutas) e se orientam pela visão e pelo olfato, diferentemente de muitos morcegos brasileiros que usam a ecolocalização. Elas recebem esse nome pelo formato do focinho, que lembra muito o de uma raposa ou de um cachorro pequeno.

a raiva no Brasil tem como principal transmissor no ciclo silvestre o Desmodus rotundus, o morcego-vampiro. Diferente das raposas-voadoras, este é um morcego hematófago, ou seja, se alimenta exclusivamente de sangue, e possui um porte muito menor.

A forma de contágio também diverge entre as doenças. Enquanto o Nipah é transmitido pelo consumo de frutas contaminadas com saliva ou urina de morcegos asiáticos, a raiva é transmitida prioritariamente pela mordedura.

O risco de transmissão e a vigilância no Brasil

Até o momento, não há qualquer registro do vírus Nipah no Brasil. Autoridades de vigilância sanitária explicam que a ausência do hospedeiro natural (Pteropus) no continente americano dificulta o estabelecimento de um ciclo de transmissão local.

Por outro lado, o controle da raiva é uma rotina estabelecida e essencial para os produtores rurais brasileiros. A doença, que afeta o sistema nervoso central, pode causar grandes prejuízos econômicos na pecuária e representa um grave risco à saúde humana.

A vacinação anual do rebanho e o monitoramento de colônias de morcegos hematófagos são práticas inegociáveis. O setor produtivo deve manter a atenção voltada para o manejo correto e a notificação de animais com sintomas neurológicos.

Biosseguridade na porteira para dentro

Para manter a segurança das propriedades, o produtor deve seguir orientações rigorosas de órgãos como a Embrapa e o Ministério da Agricultura. A principal recomendação é nunca manipular morcegos de qualquer espécie encontrados em situações anormais.

Ao avistar morcegos voando durante o dia ou caídos no chão, o serviço de defesa agropecuária local deve ser acionado. No caso do Nipah, o monitoramento segue concentrado no fluxo internacional de pessoas, garantindo que o vírus não entre no país por meio de viajantes infectados.

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