
Gasolina fica mais barata na distribuidora, mas preços não devem chegar aos consumidores
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Resumo
A Petrobras anunciou redução de 5,2% no preço da gasolina para distribuidoras a partir de 27 de janeiro de 2026, tentando alinhar valores ao mercado internacional, porém o aumento de ICMS neutraliza parte do impacto e limita a queda para consumidores.
O setor do agronegócio sente impacto indireto da redução, influenciando custos logísticos urbanos e de entrega final, com produtos perecíveis como hortifrutis e carnes sendo mais sensíveis a oscilações de preço, enquanto commodities como soja e milho dependem mais do diesel.
A dinâmica de repasse dos preços das refinarias aos postos não é imediata nem total, sendo afetada pela logística e margens dos postos, e a expectativa do mercado é avaliar, com dados futuros do IBGE, se haverá efeito real na inflação dos alimentos, especialmente no grupo "Alimentos e Bebidas".
A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (26), uma redução de 5,2% no preço da gasolina para as distribuidoras, válida a partir desta terça-feira, 27 de janeiro de 2026. A medida busca alinhar os valores praticados pela estatal às condições do mercado internacional. O repasse, porém, não deve chegar aos consumidores, já que o ICMS, imposto que compõe o preço final do combustível para os consumidores, aumentou no fim do ano passado.
No agronegócio, o impacto da redução do preço da gasolina ocorre de forma indireta, influenciando principalmente os custos logísticos de distribuição urbana e de "última milha", onde predominam veículos leves movidos a gasolina ou etanol. Mas, neste caso, além do ICMS, que também incide sobre os alimentos, o clima prejudica a oferta e os preços, em alta, não compensam a queda do combustível.
O alívio para o bolso do consumidor e para os preços finais dos produtos é limitado. Isso ocorre devido ao aumento simultâneo de R$ 0,10 por litro na alíquota do ICMS, aprovado pelo Confaz em 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o que acaba neutralizando parte da queda anunciada nas refinarias.
Alimentos sensíveis e custo logístico
Os produtos perecíveis, como hortifrutis (frutas e legumes) e carnes, são os primeiros a sentir as oscilações nos preços dos combustíveis. Isso se deve ao ciclo rápido de transporte e à necessidade de abastecimento constante dos centros urbanos. Embora o transporte de longa distância de grandes commodities, como soja e milho, dependa majoritariamente do óleo diesel e do frete ferroviário, a gasolina impacta a etapa final da entrega ao varejo.
Enquanto o diesel teve um reajuste de R$ 0,05 via ICMS, a redução da gasolina na refinaria cria um cenário de estabilidade ou de queda marginal nos postos, em vez de uma redução real e expressiva para o consumidor final.
Composição de preços e mercado
A dinâmica de repasse dos preços das refinarias para as bombas dos postos não é automática nem integral. Diversos fatores, como a logística de distribuição e a margem de lucro dos postos, impedem que o barateamento chegue rapidamente à cesta básica nas capitais brasileiras.
Até o momento, órgãos oficiais como o IBGE ainda não publicaram os relatórios mensais consolidados do IPCA para o período de janeiro de 2026. A expectativa do mercado é monitorar se a redução da gasolina conseguirá segurar a pressão inflacionária no grupo "Alimentos e Bebidas", que costuma ser muito sensível aos custos de transporte e energia.
No caso específico de commodities como soja e milho, não há dados que isolem o efeito exclusivo da gasolina nesta semana, já que estes grãos são mais dependentes do preço do diesel para o escoamento até os portos.
