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Produção de milho deve passar das 140 milhões de toneladas na atual safra

Em 2025, o Irã foi o país que mais importou milho do Brasil, mas conflitos já reduziram embarques em 36%, avalia consultoria

Da redação
DA REDAÇÃO

10/08/2026 • 05:00 • Atualizado em 10/08/2026 • 13:16

A produção de milho no Brasil deve superar projeções norte-americanas

A produção de milho no Brasil deve superar projeções norte-americanas

Wenderson Araujo/Trilux/CNA

A produção brasileira de milho na safra 2025/26 pode atingir 140 milhões de toneladas, segundo estimativa da consultoria Hedgepoint Global Markets. O volume supera as 138 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A consultoria mantém viés de revisão positiva para este mês de agosto, sustentada pelos resultados favoráveis registrados na segunda safra. O desempenho positivo em diversos estados compensou os problemas pontuais observados em lavouras de Goiás.

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No Centro-Sul do país, a colheita registra atraso no ritmo dos trabalhos. O movimento reflete o calendário de plantio, que ocorreu de forma mais tardia nesta temporada. Apesar do ritmo mais lento no campo, o mercado interno não apresenta sinais de escassez ou problemas gerais de disponibilidade do cereal, embora desafios regionais pontuais possam ocorrer ao longo do período de abastecimento.

Irã é o maior comprador de milho do Brasil

As exportações de milho mantêm ritmo aquecido no mercado internacional. Os registros acumulados de exportação estão cerca de 1 milhão de toneladas à frente do volume observado no mesmo período do ano anterior. Contudo, a continuidade dessa expansão enfrenta incertezas ligadas ao cenário geopolítico no Oriente Médio, com impacto direto nas vendas para o Irã.

O país iraniano figurou como o principal comprador do milho brasileiro em 2025, quando importou cerca de 9 milhões de toneladas. Em 2026, as compras iranianas recuaram 36% até o mês de junho, somando 1,5 milhão de toneladas, contra 2,3 milhões de toneladas registradas no primeiro semestre do ano anterior.

Luiz Fernando G. Roque, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, aponta os fatores centrais para o setor: "No milho, o destaque é a crescente força exportadora da Argentina e o risco geopolítico sobre as vendas brasileiras ao Irã, ao lado da expansão estrutural do etanol de milho como novo pilar de demanda doméstica".

Etanol de milho no Brasil

O consumo doméstico de milho ganha sustentação com o avanço da indústria de biocombustíveis. O volume de cereal destinado à produção de etanol atinge 28,5 milhões de toneladas na temporada, o que representa um aumento de 5,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

A consolidação desse mercado também se reflete no parque industrial. O número de usinas de etanol de milho em operação no país subiu de 27 para 29 unidades, enquanto outros 27 projetos estão em fase de construção ou planejamento. Esse movimento sinaliza uma expansão estrutural do consumo interno para além dos limites da Região Centro-Oeste.

Uma eventual aprovação definitiva da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) — medida inicialmente autorizada por 180 dias — pode gerar uma demanda adicional de 1,5 milhão de toneladas de milho. Caso a regra vigore apenas durante o prazo provisório, o consumo extra estimado é de 700 mil toneladas.

Argentina

No comércio exterior, a Argentina consolida-se como a origem mais competitiva para o suprimento do cereal, superando a precificação dos Estados Unidos. O Brasil registra atualmente a posição menos favorável de preços na América do Sul, embora a diferença seja estreita e possa ser compensada por vantagens logísticas e pela qualidade do produto.

Para a safra 2025/26, o USDA projeta a colheita argentina em 63 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Rosário estima 68 milhões de toneladas. As exportações da Argentina são calculadas em 45 milhões de toneladas, superando as 29 milhões de toneladas do ciclo 2024/25. O volume argentino pode ultrapassar as 43 milhões de toneladas previstas para os embarques do Brasil, estimativa nacional que apresenta viés de queda.

No cenário internacional, as lavouras dos Estados Unidos e da França permanecem no radar do mercado. Em solo norte-americano, a safra pode alcançar o segundo maior volume da história, mas cerca de 19% das áreas cultivadas enfrentam condições de seca, contra 9% registrados no ano passado. Na União Europeia, a deterioração das lavouras francesas — onde apenas 41% apresentam condições boas ou excelentes — deve exigir maior volume de importações, abrindo espaço para fornecedores do Brasil, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia