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Operação desarticula esquema de lavagem de gado na floresta amazônica

Mais de 7 mil cabeças de gado estava em propriedades embargadas por desmatamento ilegal na Amazônia

VIVIANE TAGUCHI

29/08/2025 • 15:55 • Atualizado em 29/08/2025 • 15:55

Bovinos criados em áreas de floresta passavam por fazendas legais para mascarar origem

Bovinos criados em áreas de floresta passavam por fazendas legais para mascarar origem

Tony Oliveira/Trilux

Resumo

Apreensão de gado e autuação de frigoríficos na Amazônia: O Ibama apreendeu mais de 7 mil cabeças de gado criadas em áreas embargadas por desmatamento ilegal e autuou 16 frigoríficos por envolvimento na compra de gado ilegal, com multas que alcançam R$ 26 milhões.

Investigação e penalidades: Durante a Operação Carne Fria 3, foi descoberto um esquema de "lavagem de gado", onde animais de áreas ilegais eram transferidos para fazendas sem embargos para obter legalidade. As propriedades envolvidas foram multadas e notificadas para retirar o gado das áreas embargadas.

Impacto e consequências das operações: As três fases da Operação Carne Fria resultaram em mais de 170 autuações e R$ 640 milhões em multas, com o objetivo de combater o desmatamento ilegal e impedir a comercialização de carne de origem ilícita.

Mais de 7 mil cabeças de gado que estavam sendo criadas em áreas embargadas por desmatamento ilegal - 2,1 mil hectares de florestas - foram apreendidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Amazônia. A Operação Carne Fria 3 foi deflagrada nesta sexta-feira (29) com foco no combate ao desmatamento associado às cadeias produtivas na Amazônia.

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De acordo com o Ibama, 7.061 animais avaliados em R$ 30 milhões foram apreendios, propriedades e 16 frigoríficos foram autuados. Seis frigoríficos foram autuados em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado originadas de áreas embargadas e outros 12 frigoríficos foram notificados e estão sob investigação por aquisição de gado suspeito, triangulado com fazendas “limpas” para disfarçar a origem ilegal, conforme o órgão de proteção ambiental. As multas às fazendas somam R$ 22 milhões. Os proprietários foram notificados a retirar o gado das áreas embargadas no prazo de 30 dias.

Segundo a investigação, animais de áreas ilegais vinham sendo transferidos para propriedades sem embargos para receber novas Guias de Trânsito Animal (GTAs), criando a legalidade antes de serem repassados a frigoríficos exportadores. O procedimento criminoso de "lavagem de gado" foi identificado pelos agentes da operação. As irregularidades foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) para responsabilização civil e criminal dos envolvidos, de acordo com o Ibama.

As três fases da Operação Carne Fria, realizadas em 2017, 2024 e 2025, já somam mais de 170 autuações e R$ 640 milhões em multas aplicadas. Com o avanço da investigação sobre frigoríficos, o Ibama busca atacar não apenas o desmatamento ilegal, mas também os mecanismos que permitem a inserção de carne de origem ilícita no mercado.