
Queimadas em São Paulo tiveram redução histórica neste ano
Defesa Civil São Luiz do Paraitinga
Resumo
O estado de São Paulo registrou em 2025 a maior redução histórica no índice de queimadas durante a estiagem, com queda de 91% na área queimada e 50% nos focos de incêndio em unidades de conservação em comparação ao ano anterior, segundo dados da Operação SP Sem Fogo.
A atuação integrada da Defesa Civil, com antecipação de riscos, ampliação de equipes e uso de tecnologia avançada como satélites, drones e sistemas geoespaciais, permitiu enfrentar condições climáticas extremas, como temperaturas 41% acima da média e chuvas 55% abaixo do esperado.
A força-tarefa envolveu cerca de 3 mil agentes capacitados, investimentos de mais de R$ 166 milhões em infraestrutura, equipamentos e logística, além de ações preventivas em rodovias e áreas rurais, consolidando São Paulo como referência nacional em combate e prevenção de incêndios florestais.
O estado de São Paulo encerrou o período crítico de estiagem de 2025 com um resultado histórico para o meio ambiente e para o setor produtivo rural. Dados consolidados pela Operação SP Sem Fogo mostram a maior redução no índice de queimadas já registrada. Entre junho e outubro, o total de área queimada em unidades de conservação caiu 91% em comparação com o ano anterior, enquanto o número de focos de incêndio detectados recuou 50%.
Os números do Painel Geoestatístico da Operação revelam o tamanho da preservação: foram 2.908 hectares afetados e 102 focos em 2025. No mesmo período de 2024, o cenário foi devastador, com 32.377 hectares destruídos e 205 focos registrados.
Resultado desafia o clima adverso
O que torna o balanço ainda mais expressivo é o contexto meteorológico em que foi alcançado. Segundo a Defesa Civil, 2025 apresentou condições climáticas excepcionalmente críticas para a propagação do fogo. Durante os meses de seca, as temperaturas máximas ficaram, em média, 41% acima do esperado, enquanto o volume de chuvas (precipitação) foi 55% menor do que a média histórica.
Para o Coronel Henguel Pereira, coordenador estadual da Defesa Civil, a antecipação foi a chave. “Mesmo em um ano de condições meteorológicas extremamente críticas — com calor intenso, baixa umidade e meses sem chuva — conseguimos reduzir drasticamente a área queimada. Isso só foi possível porque ampliamos o planejamento, reforçamos as equipes e adotamos uma estrutura inédita de monitoramento”, avalia.
Sala de guerra e tecnologia de ponta
A estratégia do governo estadual se baseou na criação da "Sala SP Sem Fogo". Inspirada em modelos de gestão de crises de Portugal e Espanha, a estrutura centralizou especialistas, inteligência geoespacial e dados meteorológicos em tempo real.
Essa integração permitiu antecipar riscos e deslocar equipes com até 24 horas de antecedência para locais vulneráveis, antes que o fogo começasse ou saísse de controle.
O monitoramento contou com o reforço de sistemas avançados como o SMAC e o PANTERA, que integram dados de satélites e sensores térmicos. Drones com câmeras capazes de detectar calor foram utilizados para identificar focos iniciais, inclusive durante a noite ou em áreas de mata fechada.
Prevenção nas estradas e no campo
A proteção se estendeu para além das reservas ambientais, impactando diretamente a logística do agronegócio. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) investiu mais de R$ 141 milhões em ações preventivas ao longo de 12 mil quilômetros de rodovias.
Foram realizados serviços de capina e roçada em mais de 53 mil hectares às margens das pistas, além da criação de aceiros (faixas de terra sem vegetação que impedem o avanço das chamas). Essas medidas são vitais para evitar que incêndios em beira de estrada se alastrem para lavouras vizinhas.
Força-tarefa e investimentos
A operação mobilizou o maior contingente da história para o combate ao fogo. Cerca de 3 mil agentes de 600 municípios foram capacitados. A infraestrutura também foi robusta:
- Apoio aéreo: R$ 14 milhões destinados a aviões e helicópteros;
- Fundação Florestal: R$ 11 milhões em equipamentos como motobombas e tanques flexíveis;
- Bombeiros civis: Contratação de postos temporários e brigadistas especializados.
Segundo Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o estado se consolidou como referência.
“Este é um trabalho baseado em ciência, planejamento e presença constante no território. São Paulo investiu em inteligência climática, formação de brigadistas e novas tecnologias. O resultado aparece claramente”, conclui a secretária.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

