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Brasileiros deixam de comprar carne de frango para pagar impostos; entenda

Baixa demanda interna em janeiro pressiona preços e o frango congelado na Grande SP recua 4,5%, aponta levantamento do Cepea

VIVIANE TAGUCHI

06/02/2026 • 14:29 • Atualizado em 06/02/2026 • 14:29

Tradicionalmente, janeiro é um mês desafiador para o setor de proteínas de origem animal

Tradicionalmente, janeiro é um mês desafiador para o setor de proteínas de origem animal

Freepik

Resumo

Queda do preço do frango congelado no Brasil registra terceiro mês consecutivo, com valores retornando aos patamares de maio de 2025, reflexo do impacto da gripe aviária e retração no consumo doméstico, segundo pesquisadores do Cepea.

Redução da demanda interna é explicada pelo menor poder de compra das famílias em janeiro, pressionado por despesas sazonais obrigatórias e ajustes pós-festas, levando à baixa nas cotações e exigindo reajustes nas tabelas da indústria para evitar acúmulo de produtos.

Manutenção das exportações de carne de frango garante escoamento da produção nacional, sustenta preços ao produtor e equilibra a cadeia produtiva, enquanto produtores devem acompanhar o comportamento do consumidor e o custo dos insumos para tomada de decisões nas próximas semanas.

O valor médio de negociação do frango congelado no mercado brasileiro registrou mais uma queda em janeiro, marcando o terceiro mês consecutivo de desvalorização. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços retornaram aos patamares observados em maio de 2025, período impactado pelo registro de um caso de gripe aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul.

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A pressão sobre as cotações neste início de ano é explicada, primordialmente, pela retração no consumo doméstico. Segundo a análise técnica, quase todos os produtos avícolas acompanhados pelo instituto apresentaram viés de baixa ao longo do último mês, refletindo um cenário de oferta disponível superior à capacidade de absorção do varejo local.

O movimento de queda contrasta com o desempenho das vendas externas. Enquanto o consumidor brasileiro reduziu o ritmo de compras, as exportações de proteína animal seguiram em patamares firmes, ajudando a escoar parte da produção nacional e evitando um recuo ainda mais acentuado nos preços ao produtor.

Fatores que pressionam o consumo interno

Historicamente, o mês de janeiro é um período desafiador para o setor de proteínas. Especialistas explicam que o primeiro mês do ano é marcado por uma diminuição natural na demanda devido ao menor poder de compra das famílias brasileiras.

Nesta época, o orçamento da população fica sobrecarregado por despesas sazonais obrigatórias, como o pagamento de impostos (IPVA e IPTU) e gastos com matrículas e materiais escolares. Com o orçamento doméstico mais apertado, o consumo de proteínas costuma sofrer ajustes, impactando diretamente o giro de estoques nos frigoríficos.

Além do fator financeiro, há também uma mudança no comportamento de consumo após as festas de fim de ano. Esse conjunto de variáveis cria um ambiente de negociação mais travado, obrigando a indústria a reajustar tabelas para garantir a fluidez da mercadoria e evitar o acúmulo de produtos perecíveis.

Análise de preços na Grande São Paulo

Na região da Grande São Paulo, principal polo de consumo do país, os dados do Cepea mostram que o frango inteiro congelado foi negociado, em média, a R$ 7,36 por quilo em janeiro. O valor representa uma queda de 4,5% quando comparado ao fechamento de dezembro.

Essa cotação atual faz o mercado retroceder aos níveis registrados em junho de 2025, quando o produto era comercializado a R$ 7,47 por quilo. A volta a esses patamares de preço acende um alerta para as margens de lucro dos avicultores, que precisam equilibrar os custos de produção, como milho e farelo de soja, com o valor final de venda.

A comparação com o período da gripe aviária em maio de 2025 é relevante para o setor. Naquela ocasião, as incertezas sanitárias travaram o mercado; agora, a motivação é estritamente econômica e ligada ao poder aquisitivo. A expectativa dos analistas é que o mercado comece a apresentar sinais de estabilização apenas com a entrada da massa salarial de fevereiro e a normalização dos gastos domésticos.

O papel estratégico das exportações

Apesar do cenário interno desfavorável, o setor avícola encontra sustentação no mercado internacional. O Brasil mantém sua posição como um dos principais fornecedores globais de carne de frango, atendendo a mercados exigentes no Oriente Médio, Ásia e Europa.

A manutenção do fluxo de exportações é fundamental para o equilíbrio da cadeia produtiva. Sem a demanda externa aquecida, o excedente de produção no mercado interno seria ainda maior, o que poderia levar a uma queda mais drástica nos preços e comprometer a sustentabilidade financeira de pequenos e médios produtores rurais.

Para o acompanhamento das próximas semanas, os produtores devem monitorar não apenas o comportamento do consumidor nas gôndolas, mas também o custo dos insumos. O AgroBand continuará trazendo as atualizações das cotações e as análises dos principais institutos de pesquisa para orientar o setor nas tomadas de decisão.