Agroband

Preço da mandioca sobe pela 8ª semana com oferta restrita no campo

Baixa disponibilidade da raiz impulsiona cotações ao maior patamar desde novembro; produtores priorizam outras culturas e apontam baixa rentabilidade

Da redação
DA REDAÇÃO

30/03/2026 • 10:20 • Atualizado em 30/03/2026 • 10:20

CNA/Trilux

Resumo

Escassez de mandioca impulsiona preços em alta nas principais regiões produtoras do Brasil, dificultando o atendimento da demanda industrial por fécula e farinha, enquanto produtores mantêm retração na oferta ao adiar a comercialização e priorizar outras culturas.

Custos de produção elevados, dificuldades de acesso ao crédito rural e baixa rentabilidade desestimulam o aumento da área plantada, levando mandioqueiros a sinalizarem redução do cultivo para o próximo ciclo, mesmo diante da valorização da raiz.

Papel do Cepea destaca-se como fonte principal de monitoramento e referência de preços do setor, suprindo a ausência de bolsa específica para mandioca e orientando decisões de produtores e indústrias em meio ao cenário de oferta restrita e disputa pelo produto.

A oferta restrita de mandioca no mercado brasileiro mantém os preços da raiz em rota de ascensão nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entre os dias 23 e 27 de março, as cotações registraram alta pela oitava semana consecutiva, consolidando um cenário de aperto entre a disponibilidade do produto e a demanda das indústrias de fécula e farinha.

Compartilhar

De acordo com o levantamento semanal, os valores atuais operam no patamar mais elevado desde novembro do ano passado. O movimento reflete uma retração do lado da oferta: embora alguns mandioqueiros tenham retomado os trabalhos de colheita nos últimos dias, o volume disponibilizado para comercialização ainda é insuficiente para atender às necessidades do parque fabril.

Entenda por que a oferta de mandioca está baixa

O principal motivo para a escassez do produto no mercado é o comportamento do produtor rural "da porteira para dentro". Atualmente, a maioria dos agricultores opta por adiar a comercialização da mandioca. Esse movimento ocorre porque muitos produtores estão priorizando o manejo de outras culturas de safra ou consideram que os preços pagos no momento, apesar das altas recentes, ainda não oferecem a rentabilidade desejada.

Pesquisadores do Cepea destacam que essa percepção de baixa lucratividade gera um sinal de alerta para as próximas temporadas. Além do foco em outras atividades agrícolas, o setor enfrenta custos de produção ainda elevados e dificuldades no acesso ao crédito rural para o custeio da atividade, o que limita o fôlego financeiro para expandir ou manter as áreas de plantio.

Impacto na indústria e tendências de plantio

A disputa pelo produto disponível tem forçado as indústrias a reajustarem seus preços de compra para garantir o processamento. A mandioca é a matéria-prima base para a produção de fécula (o amido fino utilizado em pães de queijo e embutidos) e da farinha de mesa. Quando a oferta da raiz cai, o custo de produção desses derivados sobe, o que pode chegar ao bolso do consumidor final nos supermercados.

Outro ponto de atenção revelado pelo relatório é a intenção de plantio para o ciclo futuro. Mesmo com a valorização sucessiva nas últimas oito semanas, os mandioqueiros sinalizam uma redução nas áreas a serem ocupadas com a cultura. A combinação de alto risco financeiro e a concorrência com grãos mais rentáveis, como soja e milho, afasta o interesse pelo cultivo da raiz em diversas regiões do país.

O que é o Cepea e sua importância

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, é uma das principais instituições de pesquisa do agronegócio brasileiro. Ele é responsável por monitorar diariamente os preços de commodities e produtos agropecuários, servindo como a principal referência para o fechamento de contratos e para o planejamento de safra de produtores e empresas do setor.

Para o setor de mandioca, os índices do Cepea são fundamentais, pois o mercado da raiz não possui uma bolsa de mercadorias e futuros (como a B3 para o boi gordo ou milho), tornando as pesquisas de campo a única bússola de preços para o setor.

Tópicos relacionados