O mercado brasileiro de azeite de oliva opera com uma margem expressiva para expansão do consumo interno e da capacidade produtiva no campo. Dados estatísticos do setor apontam que o cidadão brasileiro consome uma média anual de apenas 400 mililitros de azeite por habitante. O índice apresenta-se consideravelmente inferior aos patamares registrados em nações tradicionais da Europa, como a Espanha e Portugal, países onde o consumo individualizado ultrapassa a marca de 10 litros por pessoa a cada ano. Atualmente, a olivicultura nacional atende a menos de 1% de todo o volume do produto que é demandado internamente pelo comércio e pelos consumidores no Brasil.
Para fomentar a atividade e verticalizar o desenvolvimento econômico do setor, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil realiza a segunda edição do Prêmio CNA Brasil Artesanal.
A iniciativa institucional funciona como um mecanismo técnico e comercial para incentivar os produtores rurais, agregar valor à matéria-prima e elevar a renda líquida obtida pelos olericultores dedicados ao cultivo de oliveiras no país. Ao todo, o comitê organizador registra a inscrição de mais de 80 amostras de azeites de diferentes marcas e propriedades rurais para a disputa do certame.
Modernização tecnológica e expansão das fronteiras produtivas
A história da extração comercial de azeite de oliva em solo brasileiro configura-se como uma atividade econômica recente, com os primeiros processos produtivos estruturados a partir do ano de 2008. Apesar do curto histórico de manejo em comparação aos produtores do Velho Mundo, a cadeia produtiva nacional consolida-se na utilização de maquinários e tecnologias modernas de centrifugação desde a sua implantação originária.
O emprego dessas ferramentas de engenharia de alimentos assegura ao produto brasileiro um padrão de excelência qualitativa de nível internacional, resultando na conquista frequente de medalhas e prêmios em concursos e feiras globais de gastronomia.
Geograficamente, a implantação inicial dos olivais concentrava-se majoritariamente nas áreas de clima ameno e altitudes do estado do Rio Grande do Sul. Com o avanço das pesquisas de zoneamento climático e melhoramento de cultivares, a atividade registra uma expansão territorial estratégica para novas fronteiras agrícolas, abrangendo propriedades situadas nas regiões serranas e de transição dos estados de Minas Gerais e de São Paulo.
O espalhamento das lavouras contribui para a descentralização da oferta do produto artesanal e para a consolidação de novas rotas de agroturismo regional.
Metodologia de avaliação técnica e fases do concurso
Os jurados técnicos atuam na análise sensorial detalhada de cada lote inscrito para verificar o cumprimento das exigências de qualidade. O corpo de especialistas avalia rigorosamente quesitos específicos da amostra, incluindo o aroma, o grau de amargor, a intensidade da picância e o nível de complexidade olfativa e gustativa do produto.
Para assegurar a neutralidade de paladar e a integridade das papilas gustativas entre a degustação de uma amostra e outra, os avaliadores utilizam fatias de maçã verde, porções de pão e água mineral como agentes de limpeza bucal. Todo o procedimento de análise é conduzido de forma estritamente às cegas, garantindo a imparcialidade dos votos por meio do sigilo da identidade das marcas.
A partir da conclusão desta etapa técnica, a comissão de arbitragem seleciona os cinco melhores azeites classificados na categoria monovarietal e os cinco melhores classificados na categoria de blends. Os dez produtos finalistas avançam para a segunda fase do concurso nacional, que consiste na avaliação direta por meio de um júri popular. A votação pública está agendada para ocorrer no dia 27 de junho durante as atividades da feira ExpoVitis, realizada na cidade de Brasília, local onde será definido o ranking definitivo dos vencedores.
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