Ciência e Tecnologia

Estudo diz que 3I/ATLAS pode não ser um cometa; veja a análise

Para os cientistas, o 3I/ATLAS pode ser um fragmento de um corpo maior, talvez resultante de uma colisão gigante em seu sistema natal

Da redação
DA REDAÇÃO

16/12/2025 • 07:42 • Atualizado em 16/12/2025 • 07:42

Cometa 3IATLAS

Cometa 3IATLAS

Reprodução/Nasa

Resumo

Estudo detalhado revela que o cometa 3I/ATLAS, diferente dos cometas tradicionais, possui composição exótica com gelo, carbono e alta quantidade de metal, sendo considerado "pristino" por preservar características originais de seu sistema de origem e apresentando semelhanças com raros meteoritos carbonáceos encontrados na Terra.

Pesquisa liderada por Josep M. Trigo-Rodríguez mostra que o cometa sofreu aumento brusco de brilho ao se aproximar do Sol, causado por reações químicas entre água e metais internos, liberando gases incomuns e partículas de níquel, além de apresentar sinais de criovulcanismo, evidenciando a quebra de sua crosta endurecida por radiação cósmica.

Conclusões do estudo apontam que o 3I/ATLAS amplia o entendimento sobre diversidade de corpos planetários em outros sistemas, reforça a importância de conhecer a estrutura desses objetos para estratégias de defesa planetária e sugere que reações químicas em cometas podem contribuir para o transporte de compostos orgânicos essenciais à origem da vida.

Um novo estudo detalhado lança luz sobre o cometa 3I/ATLAS, visitante do sistema solar. Ao contrário dos cometas comuns que conhecemos (basicamente "bolas de neve suja"), o 3I/ATLAS apresenta uma composição exótica que mistura gelo, carbono e, surpreendentemente, uma grande quantidade de metal.

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Segundo a pesquisa liderada por Josep M. Trigo-Rodríguez e seus colegas, o 3I/ATLAS é o que os cientistas chamam de "pristino". Isso significa que ele mudou muito pouco desde que nasceu, há bilhões de anos, preservando a receita original do sistema planetário de onde veio.

O que mais chamou a atenção foi a sua semelhança com um tipo raro de meteorito encontrado na Terra: os condritos carbonáceos do grupo CR.

Essas rochas são conhecidas por conterem pequenos grãos de metal nativo (como ferro e níquel) misturados em sua matriz.

Para os cientistas, isso sugere que o 3I/ATLAS pode ser um fragmento de um corpo maior, talvez resultante de uma colisão gigante em seu sistema natal, que acabou sendo expulso para o espaço interestelar.

A "Explosão" de Brilho e a Química Estranha

Enquanto se aproximava do Sol, o 3I/ATLAS comportou-se de maneira estranha. A cerca de 2,5 unidades astronômicas de distância (uma medida de distância no espaço), ele sofreu um aumento repentino de brilho.

O estudo explica que isso não foi um acidente. Foi o momento em que o gelo de água dentro do cometa começou a sublimar (virar gás) vigorosamente. Mas aqui entra a parte fascinante: o que acontece quando você mistura água quente com metal em pó dentro de um cometa? Os pesquisadores propõem que ocorreram reações químicas energéticas (chamadas reações de Fischer-Tropsch).

Basicamente, a água corroeu os grãos de metal no interior do cometa. Essa "corrosão" gerou energia e liberou gases incomuns para cometas normais, como monóxido e dióxido de carbono em abundância, além de partículas de níquel que foram detectadas na cauda do cometa.

O estudo sugere que o 3I/ATLAS experimentou criovulcanismo. Em vez de lava quente, ele expeliu jatos de gás e poeira gelada através de rachaduras em sua crosta.

Essa crosta, endurecida por bilhões de anos de radiação cósmica durante sua viagem interestelar, se partiu, permitindo que o interior do cometa liberasse seus segredos químicos no espaço.

Por que isso importa?

Estudar o 3I/ATLAS é como receber uma amostra grátis de um sistema solar diferente sem precisar sair de casa. As principais conclusões do estudo indicam que:

  • Diversidade Planetária: Outros sistemas estelares produzem corpos com misturas de metal e gelo que são raras no nosso Sistema Solar.
  • Defesa Planetária: Entender a estrutura desses corpos (se são fofos ou duros e metálicos) é vital. Se um dia um desses entrar em rota de colisão com a Terra, saber que ele tem um "coração de metal" muda completamente a estratégia para desviá-lo.
  • Origem da Vida: As reações químicas observadas no 3I/ATLAS produzem compostos orgânicos complexos. Isso reforça a teoria de que cometas e asteroides podem transportar os "tijolos da vida" de um sistema estelar para outro.