Economia

Dólar cai para R$ 5,02 e atinge menor patamar em quase dois anos

Valorização do real em 2026 é impulsionada pela taxa Selic elevada e alta das commodities energéticas; Ibovespa renova recordes e atinge 197 mil pontos

Da redação
DA REDAÇÃO

10/04/2026 • 12:06 • Atualizado em 10/04/2026 • 12:06

Dólar recua e valoriza a moeda brasileira nesta sexta-feira (10)

Dólar recua e valoriza a moeda brasileira nesta sexta-feira (10)

Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar comercial opera em queda nesta sexta-feira (10), cotado a R$ 5,02. A moeda norte-americana atingiu a sua menor cotação em quase dois anos, aproximando-se da barreira psicológica dos R$ 5,00, com uma desvalorização acumulada de aproximadamente 7,5% frente ao real desde o início de 2026.

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A valorização da moeda brasileira é impulsionada por uma combinação de fatores domésticos e globais. Entre as causas principais estão o diferencial de juros, com a Selic em patamares elevados de 14,75%, e a alta das commodities energéticas devido aos conflitos no Oriente Médio, que aumentam o fluxo de divisas para o país.

Causas da queda do dólar e o diferencial de juros

O cenário de juros altos no Brasil favorece o chamado carry trade. Nessa estratégia, investidores estrangeiros trazem dólares para o país para aproveitar os rendimentos da renda fixa local, superiores aos de mercados desenvolvidos.

Esse movimento aumenta a oferta da moeda americana no mercado interno, o que reduz seu preço. Atualmente, a taxa Selic está em torno de 14,75%, mantendo o Brasil com uma das maiores taxas de juros reais do mundo.

Além do fator financeiro, o Brasil tem se beneficiado diretamente da alta do petróleo. Como grande exportador, o país registrou um crescimento significativo no volume de dólares via balança comercial, com as exportações de petróleo bruto saltando mais de 70% apenas em março.

Geopolítica e o papel de "porto seguro"

Analistas do setor apontam que a distância geográfica do Brasil em relação aos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã torna o país um destino atraente. O mercado financeiro passa a ver o país como um "porto seguro" para o capital estrangeiro em comparação a outros emergentes.

Dados econômicos dos Estados Unidos também corroboram para este cenário. A desaceleração do PIB americano no último trimestre de 2025 e as incertezas sobre as próximas decisões do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) enfraqueceram o dólar globalmente.

A expectativa de uma possível trégua diplomática, com mediações lideradas pelo Paquistão, tende a reduzir a aversão ao risco. Isso favorece moedas de países emergentes, consolidando a trajetória de queda da moeda norte-americana frente ao real.

Impacto histórico na Bolsa de Valores

Acompanhando o recuo da moeda americana, o Ibovespa vive um momento histórico. O principal índice da bolsa brasileira vem renovando recordes sucessivos e opera hoje na casa dos 197 mil pontos.

O movimento é impulsionado pelo otimismo com os fundamentos econômicos brasileiros e a entrada contínua de fluxo externo. Para o setor do agronegócio, a queda do dólar é acompanhada de perto, pois influencia diretamente o custo de insumos importados e a competitividade das exportações de commodities.

O portal Band.com.br e o programa AgroBand seguem acompanhando as cotações para informar como a volatilidade do câmbio impacta a rentabilidade do produtor rural e o preço dos alimentos para o consumidor final.