
Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Mesmo com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, quem recebeu até R$ 5 mil por mês ao longo de 2025 ainda pode ser obrigado a entregar a declaração do IR em 2026. A regra da isenção não elimina automaticamente a obrigação de prestar contas à Receita Federal, que considera outros critérios além da renda mensal.
A nova tabela do Imposto de Renda, que isenta rendimentos mensais de até R$ 5 mil, só passou a valer em 2026. Por isso, ela não se aplica aos rendimentos recebidos em 2025, que são justamente a base da declaração entregue em 2026.
Isenção não significa dispensa da declaração
A obrigação de declarar o Imposto de Renda depende de critérios definidos pela Receita Federal, como:
- recebimento de rendimentos tributáveis acima do limite anual estabelecido para 2025;
- posse de bens ou direitos acima do valor mínimo exigido;
- obtenção de rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima do limite anual;
- realização de operações na bolsa de valores;
- ganho de capital na venda de bens ou direitos.
Ou seja, mesmo quem não tem imposto a pagar pode ser obrigado a entregar a declaração se se enquadrar em alguma dessas situações.
Por que quem ganhou até R$ 5 mil em 2025 pode ter que declarar?
Em 2025, a isenção do Imposto de Renda ainda seguia as regras anteriores, com limites mensais e anuais mais baixos. Assim, quem ganhou até R$ 5 mil por mês naquele ano não estava automaticamente isento e, em muitos casos, teve imposto retido na fonte.
A declaração do IR 2026 serve justamente para a Receita Federal verificar se o imposto foi recolhido corretamente ao longo de 2025 — e, se for o caso, permitir a restituição dos valores pagos a mais.
Declaração pode gerar restituição
Para muitos contribuintes, declarar o Imposto de Renda é vantajoso. Quem teve desconto na fonte em 2025 e se enquadra em deduções legais — como gastos com educação, saúde ou dependentes — pode ter direito à restituição.
Além disso, deixar de declarar quando há obrigação pode gerar multa, juros e problemas com o CPF, o que afeta desde a obtenção de crédito até a participação em concursos públicos.
Atenção ao ano-base
Um dos erros mais comuns é confundir o ano de entrega com o ano de referência. A declaração entregue em 2026 leva em conta os rendimentos recebidos em 2025, período em que a nova faixa de isenção ainda não estava em vigor.
A isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês só passa a valer para os rendimentos de 2026, que serão declarados apenas em 2027.
O que fazer agora?
Especialistas recomendam que o contribuinte:
- reúna informes de rendimentos de bancos, empresas e do INSS;
- verifique se se enquadra em algum critério de obrigatoriedade;
- acompanhe as regras e o calendário oficial da Receita Federal para o IR 2026.
Mesmo com a ampliação da isenção, declarar corretamente continua sendo essencial para evitar problemas com o Fisco e garantir eventuais restituições.
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