Economia

Minerais críticos podem gerar R$ 192 bi no PIB e 750 mil empregos no Brasil

Levantamento inédito da Amcham Brasil revela que atrair capital estrangeiro e agregar valor ao processamento local de lítio, cobre e terras raras pode triplicar os ganhos econômicos até 2050

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 15:22 • Atualizado em 04/08/2026 • 19:17

Estudo da Amcham mostra que minerais críticos podem gerar 750 mil novos empregos até 2050 no Brasil

Estudo da Amcham mostra que minerais críticos podem gerar 750 mil novos empregos até 2050 no Brasil

Reprodução/MME

A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras raras pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e criar 750 mil novos empregos até 2050. É o que revela um estudo inédito divulgado nesta terça-feira (4) pela Amcham Brasil durante encontro do setor realizado em Belo Horizonte (MG).

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O levantamento mostra que o impacto na economia brasileira dependerá diretamente do modelo de desenvolvimento adotado no país nos próximos anos, destacando a importância da atração de investimentos internacionais e do processamento local das matérias-primas.

Dois caminhos para o futuro mineral do país

Elaborado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com apoio da U.S. Chamber of Commerce, o relatório avaliou dois cenários para a exploração de cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras — insumos indispensáveis para baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologia de ponta.

Cenário de baixa agregação de valor: Com investimentos financiados majoritariamente por capital doméstico e produção voltada prioritariamente à exportação do minério bruto. Nesse modelo, o impacto acumulado no PIB seria de R$ 128,7 bilhões, com a criação de 304 mil empregos.

Cenário de atração de capital e industrialização: Considera uma presença maior de capital estrangeiro (+R$ 120,9 bilhões em investimentos), expansão do refino e processamento em solo nacional e maior abastecimento da indústria brasileira. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB atinge R$ 192,1 bilhões e os postos de trabalho chegam a 750 mil.

Ao comparar as duas trajetórias, a escolha por atrair capital internacional e adensar a cadeia produtiva gera um ganho adicional de R$ 63,4 bilhões no PIB, R$ 32,3 bilhões no consumo das famílias e R$ 16,1 bilhões em investimentos, além de criar 446 mil postos de trabalho a mais. "O Brasil reúne algumas das maiores reservas de minerais críticos do mundo e tem todas as condições para se tornar um protagonista global nesse mercado. Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico", afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Ganhos avançam dos polos extrativos para os centros industriais

O relatório detalha que os reflexos econômicos mais imediatos ocorrem nos estados mineradores. Os maiores ganhos percentuais acumulados sobre o PIB estadual no segundo cenário foram registrados em:

  • Pará: 16,0%
  • Bahia: 10,3%
  • Goiás: 10,0%
  • Piauí: 4,0%
  • Minas Gerais: 3,8%

No entanto, o estudo comprova que o fortalecimento do processamento doméstico espalha o desenvolvimento para além das jazidas. Os estados que registram os maiores ganhos adicionais no cenário industrializado são Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.

Impacto nos setores e na indústria nacional

Com a agregação de valor dentro do país, a indústria de transformação apresenta uma alta acumulada de 1,8% no segundo cenário — avanço quase três vezes superior ao observado na projeção de exportação bruta. Também se destacam a construção civil (+4,5%) e a indústria extrativa (+4,2%).

Na divisão por segmentos fabris, os maiores impactos positivos concentram-se em:

Máquinas e equipamentos elétricos: +16,7%

Máquinas para extração mineral: +9,8%

Indústria automobilística: +5,5%

Máquinas e equipamentos mecânicos: +2,9%

"A maior atração de investimentos e a agregação de valor no Brasil ampliam os benefícios econômicos da cadeia de minerais críticos para além dos estados produtores, impulsionando também as regiões industriais e fortalecendo a inserção do país nas cadeias globais de tecnologia e da transição energética", complementa Abrão Neto.

Agenda para competitividade

Para que o Brasil consolide esse potencial, a Amcham defende uma pauta prioritária de políticas públicas voltadas ao setor, que inclui:

Aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos;

Criação de instrumentos de financiamento e mitigação de riscos para investidores;

Fortalecimento de diretrizes para atração de capital externo;

Estímulo à industrialização e ao processamento mineral local;

Aperfeiçoamento regulatório para garantir segurança jurídica em investimentos de longo prazo.