Copa do mundo

Fifa dá prazo para federações votarem venda da Copa do Mundo; entenda

Entidade máxima confirmou proposta na última terça-feira

4 min

29/07/2026 12:41 • Atualizado há 1 hora

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na Copa do Mundo de 2026

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na Copa do Mundo de 2026

REUTERS/Dylan Martinez

Resumo

Proposta da Fifa prevê venda de 20% a 30% da Copa do Mundo para investidores, com criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), prazo de 53 dias para votação das 211 federações e possibilidade de aumento dos repasses de 8 para 20 milhões de dólares para federações participantes.

Reação da Uefa é fortemente contrária ao projeto, com ameaça de boicote, críticas à falta de transparência e processo democrático, além de alegação de que a proposta prioriza interesses financeiros em detrimento do futebol e encontra rejeição crescente entre entidades e partes interessadas.

Manifestação da Concacaf demonstra preocupação com o processo decisório, reclama da ausência de diálogo prévio e cobra governança responsável, defendendo que decisões desse porte devem ser tomadas em conjunto entre Fifa, confederações e associações nacionais.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, deu um prazo para as 211 federações votarem a proposta da venda da Copa do Mundo para investidores. Segundo comunicado divulgado pela entidade máxima do futebol na última terça-feira, a Fifa Forward Enterprise (FFE) seria responsável por comercializar parte do torneio.

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De acordo com o jornal The Telegraph, Infantino deu 53 dias de prazo para que as federações possam votar a favor ou contra a proposta da Fifa. A ideia da entidade máxima do futebol é aumentar o investimento das federações que fizerem parte da FFE. O salto seria de 8 para 20 milhões de dólares (R$ 103 milhões) para o ciclo entre 2027 e 2030.

No entanto, ainda segundo o The Telegraph, Infantino pode deixar as federações que votarem contra a proposta fora do novo modelo de investimento. A redução seria de quase 75%.

Uefa se posiciona contra

A Uefa, que havia ameaçado boicotar a Copa do Mundo caso a Fifa aprove o novo modelo de investimento, voltou a se posicionar contrária à ideia nesta quarta-feira (29). A entidade europeia afirmou que soube da data-limite de votação e ainda ressaltou que a proposta tem encontrado cada vez mais rejeição.

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Hoje tomamos conhecimento do prazo estipulado pela FIFA para que as associações apoiem as suas propostas ou tenham a oferta de pagamento único retirada. Isso diz tudo o que você precisa saber sobre este plano. Mas, após conversar com diversas partes interessadas de todo o esporte, a UEFA sabe que existe uma oposição significativa e crescente ao projeto da FIFA. A FIFA não pode continuar a usar o nosso esporte para enriquecer a si mesma e aos seus amigos. Podemos fazer o futebol crescer da maneira correta. É hora de priorizar associações, clubes, ligas, jogadores e torcedores. - nota da Uefa

Concacaf também se manifesta

A Concacaf também se manifestou nesta quarta. Embora ainda não tenha assumido a posição contrária à proposta da Fifa, a entidade afirma que está “preocupada” com o processo.

A Concacaf só tomou conhecimento desta questão por meio de reportagens na mídia e, subsequentemente, por meio de um comunicado à imprensa.

Estamos profundamente preocupados com a falta de devido processo. Compartilhamos a decepção de muitos em nossa região e no esporte de que este nível de detalhe tenha sido projetado e compartilhado publicamente antes de qualquer discussão com os órgãos de governança relevantes e partes interessadas ter ocorrido.

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Como líderes no futebol, somos os guardiões do esporte. Coletivamente, a FIFA, as Confederações e cada Associação Membro têm a responsabilidade de sempre agir em prol dos melhores interesses do esporte. Toda decisão que tomamos deve ser guiada por boa governança, processos robustos e administração de longo prazo.

Este é o quadro dentro do qual a Concacaf opera. Confiamos que todos na família FIFA agirão da mesma maneira.”

Entenda o que é a FFE e como ela funcionaria

A Fifa seria a principal acionista da Copa do Mundo. A ideia de Infantino é vender entre 20% e 30% da competição para investidores das 211 associações que fazem parte da entidade máxima do futebol. O acordo poderia render 15 bilhões de libras (R$ 201 bilhões).

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Infantino seria um comissário dessa nova empresa que comandaria parte da Copa do Mundo. O presidente da Fifa, inclusive, já teria entrado em contato com alguns acionistas próximos à gestão de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, aliado forte do italiano. A JP Morgan coordena o processo.

Veja o comunicado da Uefa sobre a FFE:

"Isso ultrapassa uma linha que as instituições governantes do futebol nunca deveriam ultrapassar. A UEFA leva isso extremamente a sério. Todas as Associações Nacionais de Futebol também deveriam levar. Assim como todas as partes interessadas: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos os que se importam com o futuro do esporte.

A alma e a governança do futebol não são bens para serem negociados — especialmente com zero transparência sobre quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Ele não pertence à FIFA para ser vendido."