
Lula e Trump na Malásia
Evelyn Hockstein/Reuters
Em uma escalada sem precedentes das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. A embaixadora, porém, não foi considerada “persona non grata” e pode permanecer nos Estados Unidos.
Mas o governo americano frisou que todas as opções estão à mesa. Ameaça? A medida dos Estados Unidos seria uma retaliação à demora brasileira de aprovar o nome de Daniel Perez para ser o embaixador do país no Brasil.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirma que houve diversos contatos com autoridades brasileiras e, segundo os americano “o Brasil desperdiçou todas as oportunidades de fazer a coisa certa” . Por sua vez, o governo brasileiro avalia que os EUA romperam protocolos diplomáticos ao anunciar o nome de Daniel Peres antes do nome ser aprovado pelo Brasil. E que todo processo deveria ser confidencial.
Este é mais um episódio da deterioração das relações diplomáticas entre os dois governos.
Nos últimos meses, os Estados Unidos impuseram ao Brasil alíquotas tarifárias bem superiores a maioria dos países com quem negocia. Revogaram custos de autoridades brasileiras, impuseram a lei Magnitski ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificaram Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas.
O Brasil, por sua vez, negou vistos de entrada a funcionários americanos que viriam ao Brasil. A gente não vê essa crise acalmando, ao contrário.
Políticos dos dois países e de todas as correntes ideológicas acham que levam proveito eleitoral com essa briga e deixam de lado as relações de Estado de grandes parceiros comerciais, o maior investidor direto no nosso país e com mais de 200 anos de amizade.
Crise com a Argentina
Não é só com os Estados Unidos que a situação está séria. Com a Argentina, outro importante parceiro comercial, o Itamaraty informou ao embaixador no país, Daniel Raimondi, que ele pode voltar para Buenos Aires e que o governo brasileiro fará tratativas apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília. Já o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não voltou para Argentina e deve permanecer no Brasil.
A medida se dá após as ofensas do presidente argentino Javier Milei diretamente ao presidente brasileiro. Em resposta, a Argentina afirmou que as relações entre Estados devem responder ao interesse de seus povos. E não ficar subordinadas às políticas e interesses pessoais dos governantes. E que Buenos Aires nunca respondeu às diferenças políticas com medidas institucionais.
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