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Governo das Ilhas Canárias nega ancoragem de navio com surto de hantavírus

Decisão de barrar o MV Hondius em Tenerife gera conflito com o governo da Espanha; militares foram acionados para retirar passageiros após mortes por hantavírus

Da redação
DA REDAÇÃO

10/05/2026 • 00:52 • Atualizado em 10/05/2026 • 00:52

Navio MV Hondius

Navio MV Hondius

REUTERS/Handout via REUTERS

O governo das Ilhas Canárias anunciou, na noite deste sábado (9), que não autorizará a ancoragem do navio de cruzeiro MV Hondius no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife. A decisão estabelece um conflito diplomático e administrativo com o governo central da Espanha, que havia ordenado o recebimento da embarcação por razões humanitárias e de segurança marítima.

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O navio é o centro de uma crise sanitária internacional após a confirmação de um surto de hantavírus (cepa Andes) a bordo. Até o momento, foram registradas três mortes e pelo menos oito casos notificados, dos quais seis já foram confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Impasse entre governos

O presidente regional das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, utilizou suas redes sociais para reforçar a posição de que a segurança da população local é a prioridade. Segundo Clavijo, o governo regional não recebeu relatórios técnicos que garantam "risco zero" para os moradores do arquipélago. "Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias", afirmou o presidente.

A crítica do governo regional estende-se ao Ministério da Saúde da Espanha e à própria OMS, alegando falta de respostas claras sobre os protocolos de segurança que seriam aplicados durante o desembarque e o transporte dos passageiros.

Apesar da resistência das autoridades canárias e da recusa de empresas de transporte locais em realizar o serviço, o governo espanhol mantém o plano de iniciar o desembarque na manhã deste domingo (10).

Para contornar o bloqueio logístico, o Executivo central acionou a UME (Unidade Militar de Emergências). Os militares serão responsáveis por realizar o traslado dos passageiros sob escolta direta até o aeroporto, garantindo o isolamento necessário.

O risco sanitário

Embora a cepa Andes do hantavírus seja conhecida pelo potencial de transmissão entre humanos, a OMS emitiu um comunicado afirmando que o risco para a saúde pública em Tenerife é considerado baixo, desde que os protocolos de contenção sejam seguidos.

O governo das Ilhas Canárias, por sua vez, mantém a proibição de ancoragem até que garantias formais e relatórios técnicos detalhados sejam apresentados pelas autoridades sanitárias nacionais.

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