Os Estados Unidos e o Irã assinaram, na noite de quarta-feira (17), o acordo provisório de paz que prevê a diluição por Teerã do estoque de urânio altamente enriquecido, em troca de benefícios para o país persa. Apesar do tratado trazer alívios aos mercados, a mídia norte-americana aponta inconsistência e diz que o regime iraniano pode sair fortalecido da guerra.
O jornal The New York Times lembrou que o presidente americano, Donald Trump, buscava a "destruição total" dos programas nucleares do país e a queda de seu regime --o que não aconteceu. Além disso, o acordo abre caminho para que o Irã receba amplo alívio financeiro, algo que Trump criticava o ex-presidente Barack Obama por fazer durante sua administração.
O levantamento das sanções significa que o petróleo iraniano começará a fluir para uma gama mais ampla de compradores, beneficiando financeiramente o país de maneiras significativas, pontua o NYT. "Como você volta para os Estados Unidos e convence um público americano cético de que este acordo é uma vitória?", questiona a jornalista Rebecca Elliott.
Apesar de a administração retratar o acordo como um avanço, os críticos argumentam que as concessões oferecidas ao Irã superam em muito os compromissos garantidos em troca, diz a Fox News. Funcionários da administração descreveram o acordo como uma "falha" pelo fato de que os detalhes nucleares ainda não estão resolvidos.
"O acordo proposto por Donald Trump com o Irã está atraindo críticas severas de alguns de seus apoiadores mais fortes, que argumentam que o acordo recompensa Teerã antes que ele tenha concordado em desmantelar completamente seu programa nuclear", acrescenta a emissora, que é conhecida publicamente por apoiar o partido republicano.
Os críticos ainda observam que o acordo não exige o desmantelamento imediato da infraestrutura nuclear, a remoção dos estoques de urânio enriquecido, restrições ao programa de mísseis balísticos de Teerã ou o desmantelamento de grupos de proxy apoiados pelo regime, como o Hezbollah.
Na visão de analistas da CNN, a trégua foi fechada porque Trump não quer ser responsável por uma catástrofe econômica. "O acordo parece ceder quase toda a alavancagem dos EUA e entrega ao Irã bilhões de dólares em receitas antecipadamente ao suspender as sanções. Isso pode, portanto, prejudicar a mística auto-conjurada de Trump como o grande negociador do mundo", enfatiza a análise.
"Isso significa que a nova carta na manga de Teerã --a capacidade de interromper as exportações de petróleo através do Estreito de Ormuz-- acabou de se tornar ainda mais poderosa", completou.
De forma semelhante, o Washington Post menciona que o memorando dá a Trump a chance de afirmar que evitou uma crise econômica mais ampla. Porém, muitos de seus termos principais parecem retornar os EUA e o Irã ao ponto em que estavam antes do conflito.
De acordo com o jornal, vários republicanos de peso estavam "furiosos" com o memorando, em meio a dúvidas de que os iranianos negociarão de boa fé ou se prolongarão as negociações enquanto retomam suas capacidades militares.
Com Estadão Conteúdo
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