A diplomacia brasileira busca alternativas para reverter as novas sobretaxas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, que podem chegar a 37,5% sobre as exportações do país. Em Paris, onde cumpre agenda para uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o representante comercial norte-americano e afirmou que existe espaço para negociação.
A estratégia central do Itamaraty para conter o impacto econômico é afastar as discussões de autoridades com perfis políticos ou fortes posições ideológicas, concentrando os esforços em fechar acordos diretamente com nomes técnicos do governo americano. Apesar de reforçar que as justificativas apresentadas por Washington não são legítimas, Mauro Vieira manteve o tom conciliador, destacando que o diálogo entre os países sempre foi produtivo e que o Brasil está pronto para continuar as conversações.
Relatório pegou governo brasileiro de surpresa
A publicação da chamada ‘Sessão 301’ nesta semana pegou o Itamaraty de surpresa. O chanceler brasileiro chegou a sinalizar ao representante dos EUA que o documento foi divulgado antes do prazo originalmente combinado entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O relatório é o resultado de uma investigação aberta há quase um ano por determinação de Trump. O texto elenca práticas comerciais brasileiras que seriam supostamente desleais. Entre as queixas listadas pelos americanos estão:
- O sistema de pagamentos instantâneos Pix, classificado no documento como uma ameaça às empresas tradicionais de cartão de crédito dos Estados Unidos;
- Supostas barreiras brasileiras criadas para dificultar a entrada do etanol norte-americano no mercado nacional;
- Alegações de que commodities agropecuárias brasileiras - como soja, milho e carne - seriam oriundas de áreas desmatadas ilegalmente, o que geraria preços artificiais no mercado externo
Como contrapartida a essas práticas, os Estados Unidos propõem uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos exportados pelo Brasil. Para evitar um choque imediato de abastecimento na própria economia americana, o relatório trouxe uma longa lista de produtos isentos do tarifaço, incluindo itens essenciais como petróleo, café, carne bovina e peças de aviação.
Prazo para contra-argumentos
O governo e o setor produtivo nacional correm contra o tempo. O Brasil tem até o dia 15 de julho para apresentar argumentos formais, tanto por parte do governo quanto de empresas e setores prejudicados, na tentativa de sensibilizar a administração americana e suspender a aplicação das sobretaxas.
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