Jornal da Noite

Justiça acata pedido da Prefeitura e suspende mototáxi da Uber em SP

Tribunal derruba ordem de primeira instância que mandava credenciar a plataforma em 48 horas e mantém o serviço barrado na capital até o julgamento

Da redação
DA REDAÇÃO

25/07/2026 • 00:28 • Atualizado em 25/07/2026 • 00:47

O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu nesta sexta-feira (24) a decisão que obrigava a Prefeitura da capital a credenciar a Uber para operar o serviço de transporte de passageiros por motocicleta na cidade. Com a nova ordem, o Uber Moto fica proibido de operar em São Paulo até que o caso seja analisado pelo Tribunal.

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A medida atende a um recurso apresentado pela Prefeitura contra uma decisão de primeira instância. Na terça-feira (21), a juíza Patrícia Persicano Pires havia determinado que o Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV) formalizasse, no prazo de 48 horas, o credenciamento da empresa e revogasse o indeferimento do pedido feito em 15 de julho, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

Na última semana, a Prefeitura e o Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV) haviam negado o pedido da Uber para operar o serviço. A empresa contestou as razões apresentadas e afirmou que se tratava de uma tentativa de barrar o transporte de passageiros por motocicletas na cidade.

Em nota, a Uber afirmou que a decisão do TJ-SP confirma a legalidade da sua operação e reforçou o compromisso com a segurança de usuários e parceiros, que contam com Seguro de Acidentes Pessoais em todas as viagens realizadas pela plataforma. A empresa acrescentou que seguirá trabalhando para ampliar as opções de mobilidade para os paulistanos, oferecendo uma alternativa que classifica como eficiente, acessível e já consolidada em diversas metrópoles brasileiras.

A Prefeitura aponta que, em 2025, foram registradas 475 mortes de motociclistas no trânsito da cidade. Segundo a gestão municipal, no primeiro semestre deste ano, foram 283 óbitos.

Briga na Justiça

Desde 2023, a Prefeitura e as empresas Uber e 99 travam uma disputa judicial acerca da liberação do serviço na cidade. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que municípios não podem proibir o mototáxi, as companhias de transporte por aplicativos anunciaram o início do serviço a partir de dezembro de 2025. O TJ-SP determinou que a Prefeitura regulamentasse o modal.

A justificativa da gestão para se opor ao serviço, antes da regulamentação aprovada pela Câmara, era um eventual aumento do número de acidentes em um trânsito já sobrecarregado.

Mesmo após a aprovação da regulamentação, a Uber, a 99 e outras integrantes da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) criticaram as obrigações previstas no texto, classificando-o como "ilegal" e afirmando que ele funciona como uma "proibição ao funcionamento das motos por aplicativo".

A 99 anunciou em abril de 2026 que desistiu de oferecer o serviço de mototáxi em São Paulo. Na ocasião, a empresa informou que estava focada na expansão do serviço de entrega e não havia planos de lançar a modalidade na capital paulista.