O presidente Lula assinou nesse final de semana um artigo no Washington Post sobre as tarifas americanas sobre os produtos brasileiros. Você sabe, todo artigo tem um título que resume a ideia central do texto. E qual foi o título do artigo assinado por Lula? "Ninguém vai nos vencer com mentiras".
Você concorda que uma reflexão mais equilibrada sobre as tarifas envolveria um título na linha “Brasil e Estados Unidos: nações amigas, comércio parceiro"? Mas o artigo “Ninguém vai nos vencer com mentiras” é confronto, no título e no texto.
Não é uma resposta ao tarifaço. É mais uma reafirmação de uma visão antiamericana que passou ao longo dos últimos anos por combater o dólar como moeda de troca, por apoio a ditaduras latino-americanas, por uma defesa da redução da liderança dos Estados Unidos.
Lula tem todo o direito de querer uma nova ordem internacional, isso não é o problema. É que em política internacional querer é uma coisa, poder é outra.
Querer um chefe de Estado pode. Já poder envolve uma combinação de fatores que passa por economia pujante, tecnologia, força comercial, capacidade de investimento, capacidade de influenciar e interferir no destino de outros países e uma certa força militar.
Para o Brasil, as taxas de Trump representam um prejuízo expressivo, cerca de 2,5% de tudo o que a gente exporta para o mundo. É quebradeira em vários setores, é desemprego. Para os Estados Unidos, taxar os produtos brasileiros significa prejudicar apenas 0,24% das importações globais deles.
Então, diante dessa assimetria, o que os especialistas defendem? Negociação, e não confronto. É isso que fazem os principais líderes mundiais – mas não Lula, que prefere dizer “ninguém vai nos vencer com mentiras”.
Por mais que o Palácio do Planalto entenda que essa postura é legítima, não dá para dizer que é coerente porque o Brasil cobra dos americanos o que ele, Brasil, não faz. Enquanto Lula fala e pede mais espaço na governança global, no mercado americano, o Brasil segue uma das nações mais fechadas do planeta.
Dados da OMC mostram que o Brasil pratica a maior tarifa média de importação entre os 24 maiores importadores do mundo. Ou seja, a gente discursa por mais abertura, mas a nossa legislação, nossas regras dificultam a entrada de produtos estrangeiros.
É o caminho oposto por vários países que se abriram, celebraram acordos e passaram a exportar mais. Pode pegar: Polônia, Índia, República Tcheca, Vietnã, escolhe. Em 1995 todos esses exportavam menos que o Brasil e hoje exportam bem mais.
Há 30 anos, o que o Vietnã exportava em um ano a gente exportava a cada 40 dias. Hoje, o Vietnã exporta em um ano tudo o que o Brasil exporta e mais 20%.
Quem escolheu o melhor caminho?
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