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Vocaro pagou hotel de luxo em NY e emprestou cartão para Ciro Nogueira

Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (7).

Da redação
DA REDAÇÃO

07/05/2026 • 13:35 • Atualizado em 07/05/2026 • 20:00

As investigações da quinta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, indicam que a estratégia de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para exercer influência no Congresso Nacional ia além do pagamento de uma propina mensal de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

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O documento detalha ainda que Vorcaro teria disponibilizado um cartão de crédito pessoal para que o senador fizesse uso próprio. Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (7).

Em nota, a defesa do senador negou as irregularidades, afirmando que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

Investigadores apontam que Ciro Nogueira teria se hospedado, custeado pelo banqueiro, no Park Hyatt New York, hotel de luxo em Manhattan conhecido por suítes de alto padrão com vista para o Carnegie Hall, áreas amplas de até 116 m² e serviços exclusivos, como banheiros em mármore, banheiras de imersão, cortinas blackout e arrumação duas vezes ao dia.

As diárias do hotel variam de US$ 1.597 a mais de US$ 10 mil, a depender da categoria da acomodação, o que equivale, em conversão aproximada, a valores entre R$ 8 mil e R$ 50 mil.

A investigação da Polícia Federal indica que Vorcaro pagou ao senador "despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante".

"Há, ainda, referência à disponibilização de cartão destinado à cobertura de despesas pessoais", anota o relatório da PF.

Para ilustrar as despesas pagas pelo banqueiro ao parlamentar, investigadores apresentaram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça um diálogo entre Léo Serrano, um dos operadores financeiros do esquema, e Daniel Vorcaro.

"Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?", indagou Serrano.

"Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths", respondeu Vorcaro em referência à ilha de São Bartolomeu, ilha caribenha compartilhada por milionários.

A Polícia Federal reforça no relatório que o senador usufruiu "de imóvel de propriedade de Vorcaro como se fosse do próprio parlamentar, além do custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados".

O que dizia a ‘Emenda Master’, que levou Ciro Nogueira a ser alvo da PF

"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", conclui a PF.

A quinta fase da Operação Compliance Zero determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens dos investigados. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária contra o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro.

Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira

"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."

*Com informações do Estadão Conteúdo.