Pets

Comerciante chinês é condenado à pena máxima por maus-tratos a 26 cães

Sentença é considerada um marco jurídico no combate aos maus-tratos; animais eram mantidos em subsolo sem ventilação para fins de reprodução ilegal

Da redação
DA REDAÇÃO

03/02/2026 • 16:17 • Atualizado em 03/02/2026 • 16:17

Cães da raça American Bully eram mantidos em subsolo na zona leste

Cães da raça American Bully eram mantidos em subsolo na zona leste

Freepik

Um homem foi condenado, nesta semana, à pena máxima por maus-tratos a animais em São Paulo. A condenação ocorre na mesma semana em que protestos tomaram conta das cidades brasileiras após a morte do Cão Orelha e o endurecimento à legislação.

Compartilhar

O comerciante Gouzhen Zeng, investigado desde 2024, foi condenado à cinco anos, três meses e 15 dias de reclusão por crime de maus-tratos qualificado. A sentença, proferida pela juíza Margot Chrysostomo Corrêa, da 15ª Vara Criminal da Capital, aplica a punição máxima prevista na legislação atual, refletindo o rigor necessário diante de cenários de extrema crueldade. A condenação, porém, será cumprida em regime semiaberto.

O caso foi descoberto em agosto de 2024, após uma investigação do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Em um imóvel na Avenida Ragueb Chohfi, zona leste da capital paulista, os agentes encontraram 26 cães da raça American Bully vivendo em condições degradantes.

Os animais, adultos e filhotes, eram mantidos em um subsolo escuro, sem qualquer ventilação e confinados sobre as próprias fezes e urina. Segundo o processo, o objetivo do comerciante era a reprodução desenfreada e a venda ilegal dos animais. "A perversidade e a frieza do réu demonstram um total desprezo pela vida animal", destacou a magistrada na sentença.

Mesmo após o resgate, a gravidade do quadro de desnutrição e as doenças adquiridas no cativeiro deixaram sequelas irreversíveis. 10 dos cachorros resgatados não resistiram e morreram após a intervenção policial. Além da pena de prisão em regime semiaberto, a decisão judicial impôs sanções financeiras e restritivas. O homem terá que pagar uma multa de R$ 43,620 mil a uma protetora de animais que assumiu os custos do resgate, castração e tratamentos veterinários dos cães. Zeng também está proibido de exercer a guarda de qualquer pet.

A Lei Sansão em Vigor

A condenação baseou-se na Lei Sansão (Lei 14.064/2020). Antes dessa alteração na Lei de Crimes Ambientais, a pena para maus-tratos era considerada branda. Agora, a punição para quem maltrata cães e gatos pode chegar a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda.

Este caso de 2026 solidifica o entendimento do Judiciário de que a exploração comercial de animais sob condições de sofrimento extremo não será mais tolerada com penas alternativas.

Tópicos relacionados