Band Eleições

Haddad diz que Doria e Tarcísio 'não queriam ser governadores' de SP

Pré-candidato do PT critica falta de foco dos rivais no Estado e afirma que finanças paulistas vivem pior deterioração desde antes de Mário Covas

Da redação
DA REDAÇÃO

10/07/2026 • 22:15 • Atualizado em 10/07/2026 • 22:16

Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo

Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo

Divulgação/Fernando Haddad

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (10) que, na sua avaliação, tanto o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quanto seu antecessor, João Doria (então no PSDB), não tinham como objetivo permanecer no comando do Estado.

Compartilhar

"Perdoe-me a sinceridade, mas eu acredito no que estou falando: tanto Doria quanto Tarcísio não queriam ser governadores, na minha opinião", disse. "Estavam de passagem, pensando em voos mais longos."

A crítica remete às articulações presidenciais que envolveram os dois. Embora setores da elite financeira e do Centrão defendessem sua candidatura ao Planalto, Tarcísio sempre afirmou publicamente que disputaria a reeleição ao governo paulista. Doria, por sua vez, pretendia concorrer à Presidência em 2022, mas não conseguiu viabilizar a candidatura diante de resistências internas e da divisão no PSDB.

Haddad procurou distinguir a ambição pessoal da conduta no cargo. "Ninguém pode ser condenado por ser ambicioso, por ter pretensões. Não é disso que estou falando", continuou. "Mas, quando você está em uma cadeira, tem que estar pensando na sua missão naquela cadeira. Tudo bem ambicionar outras coisas, mas o que eu vi foi uma falta de foco no Estado."

O ex-ministro da Fazenda, que deixou o cargo em março para disputar o governo paulista, afirmou ainda que as finanças de São Paulo passam por uma deterioração não vista desde antes do governo de Mário Covas (1995-2001).

Segundo ele, o Estado só conseguiu encerrar o ano graças à renegociação da dívida promovida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que teria injetado R$ 13 bilhões nos cofres estaduais – a seu ver, por um preço baixo.

O petista disse também que São Paulo registrou, no ano passado, o maior déficit de suas contas públicas em muitas décadas, e que a renegociação da dívida garantiu ao Estado uma folga anual de R$ 11 bilhões. De acordo com Haddad, as tratativas foram conduzidas por ele, a pedido de Lula, em conjunto com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Com Estadão Conteúdo