A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou o presídio em Roma, na Itália, após a Justiça do país negar a extradição da ex-parlamentar. Ela, que estava presa desde julho do ano passado, disse que nunca desistiu de sair da prisão.

Carla Zambelli após deixar a prisão na Itália
Reprodução
Por ter dupla cidadania, Carla Zambelli deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.
Em julho de 2025, a ex-deputada foi presa em Roma, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes. Após a fuga, o governo brasileiro solicitou a extradição da ex-deputada para o Brasil.
Nas instâncias inferiores, a extradição foi aceita, mas não foi executada porque ainda cabia recurso. Nesta sexta-feira, a Corte de Cassação, que é a última instância judiciário italiano, negou o pedido de extradição.
Defesa fala em ‘processo zerado’
O advogado Fábio Panhosi, defensor de Carla Zambelli, afirmou, na noite desta sexta-feira (22) que a ex-deputada não possui mais pendências com a Justiça italiana e pode levar a vida normalmente no país após ter sido negado o pedido de extradição dela, feito pelas autoridades brasileiras.
Ela é uma cidadã italiana livre para ter a sua vida fazendo o que ela quiser. Nesse momento, não há nada mais na Justiça italiana, a situação dela está zerada. Ela tem dupla cidadania, pode viver na Itália tranquilamente. Se ela quiser sair da Itália, nesse momento, dentro da comunidade europeia, ela pode. --Fábio Panhosi
Na BandNews TV, o advogado foi incisivo ao apontar o que considera uma "perseguição política/ jurídica" contra a ex-parlamentar e citou o pedido de extradição do ministro Alexandre de Moraes.
Embora o desejo da ex-deputada seja retornar ao Brasil, a estratégia da defesa é de cautela. Panhosi admitiu que, no atual cenário, o retorno é inviável, aguardando uma mudança política para que a revisão criminal seja bem-sucedida. "Carla vai continuar na Itália até que se melhore essa questão política no Brasil, que nós tenhamos uma maior segurança jurídica", concluiu.
Flávio Bolsonaro comemora decisão da Itália
Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou a decisão da Justiça da Itália sobre a anulação do processo de extradição da ex-deputada.
“Que alegria te ver assim, Carla! Me emocionei porque, imediatamente, comecei a imaginar como será quando for o meu pai, Jair Bolsonaro! Vitória consagrada a DEUS!”, escreveu Flávio Bolsonaro na plataforma X, antigo Twitter.
Apoio a Bolsonaro e ‘bode expiatório’
Após perder a eleição, Jair Bolsonaro chegou a atribuir a derrota à Carla Zambelli, que sacou uma arma e perseguiu um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma rua no bairro Jardins em São Paulo na véspera do segundo turno.

Carla Zambelli perseguindo homem com arma nas ruas de SP
Reprodução
"A Carla Zambelli tirou o mandato da gente. Ela tirou o mandato da gente", disse Bolsonaro ao relembrar o episódio durante participação em um podcast. Na visão do ex-presidente, os eleitores associaram a atitude à sua política de defender a ampliação do porte de armas, o que teria lhe custado votos.
Em seu primeiro mandato como deputada federal, ela mantinha alianças com Joice Hasselmann, até então apoiadora de Jair Bolsonaro, com quem rachou ainda no primeiro ano de legislatura. Outro nome que se destaca é o de Sergio Moro, antes juiz federal ligado aos julgamentos em primeira instância da Operação Lava Jato, depois Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.
Porém, em entrevista dada no dia em que deixou o Brasil, Carla disse ter sido usada como "bode expiatório" pela derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, em especial pelo advogado Fábio Wajngarten. E que o episódio da perseguição a um cidadão de arma em punho na véspera do pleito a afastou do então presidente e a colocou em depressão.
Condenações de Zambelli e renúncia ao cargo
Segundo as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandato falso de prisão contra Alexandre de Moraes e o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar. Ela foi condenada a 10 anos de prisão.

Carla Zambelli ao lado de Walter Delgatti
Reprodução/Instagram
Além desse caso, a ex-deputada também foi condenada por carregar uma arma ilegalmente e perseguir um homem em São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
Em dezembro do ano passado, Carla Zambellii informou à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados sua renúncia ao mandato. Ela deixou o cargo dois dias após o STF confirmar a cassação imediata do mandato dela.
Quem é Carla Zambelli
Carla Zambelli foi eleita deputada federal em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) e reeleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL), como a segunda deputada mais votada de São Paulo.
A deputada do PL é natural de Ribeirão Preto, São Paulo. Formada em Planejamento Estratégico Empresarial pela Universidade Nove de Julho (Uninove), atuou na área até 2015, quando pediu afastamento da empresa que trabalhava, a KPMG, para tratar um tumor no cérebro.
Além da vida política, a deputada também é registrada na profissão de escritora, tendo lançado o livro Não foi Golpe - Os bastidores da luta nas ruas pelo Impeachment de Dilma, publicado pela LVM Editora, em 2018.
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