O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito, nesta sexta-feira (17), como o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ele substituirá o então presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL).
A votação teve 44 votos favoráveis, uma abstenção e 25 ausências. A votação também alterou a vaga de 2º secretário da Mesa Diretora, que volta a ser ocupada pelo deputado Dr. Deodalto (PL), que estava exercendo o cargo de secretário de estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Os partidos de oposição PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL ficaram de fora da sessão por discordarem da realização do pleito por voto aberto. A alegação era de que parlamentares poderiam sofrer pressões e retaliações políticas e, por isso, defendiam a votação secreta.
Ao todo, 25 deputados estaduais não participaram da votação. A abstenção foi do deputado Jari Oliveira (PSB).
Na teoria, ao assumir a presidência da Alerj, Ruas poderia assumir interinamente o governo do Rio de Janeiro, mas uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) mantém o desembargador Ricardo Couto no comando do Palácio Guanabara até que a Corte defina como será a eleição do mandato-tampão.
Eleições indiretas
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou uma maioria clara a favor da realização de eleições indiretas para a escolha do próximo governador do Rio de Janeiro, que ocupará um mandato tampão. O placar do julgamento está em quatro votos a um, mas uma decisão final foi adiada após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Os ministros André Mendonça, Cássio Nunes Marques e Carmen Lúcia anteciparam seus votos e se manifestaram a favor de que a eleição seja realizada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Eles se juntaram ao ministro Luiz Fux, que já havia apresentado o mesmo entendimento no dia anterior.
O único voto divergente até o momento foi o do ministro Cristiano Zanin, que defendeu a realização de eleições diretas, com a participação popular.
Apesar da maioria já estabelecida, a sessão foi suspensa sem uma definição, pois o pedido de vista de Flávio Dino interrompe a contagem dos votos até que ele se sinta apto a apresentar sua posição. Enquanto não há uma decisão final da Corte, o estado do Rio de Janeiro continua sob o comando interino do presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), o desembargador Ricardo Couto de Castro.
Douglas Ruas
Em discurso após assumir a presidência da Alerj, Douglas Ruas, restringiu as suas críticas ao PSD e ao PDT por tentarem impedir a votação aberta, considerada por ele como mais democrática.
O novo presidente da Alerj disse ainda que o Rio de Janeiro, nos últimos dias, passava por um cenário jamais visto com interinidade nos três poderes.
“No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou.
Ruas disse ainda que será presidente dos 70 deputados que compõem o quadro de parlamentares da Alerj. “Agradeço a cada um dos senhores e senhoras deputados e deputadas que confiaram a mim essa missão, que não é uma missão individual e, sim, coletiva, construída através do diálogo, buscando sempre as soluções em favor da população do estado do Rio de Janeiro”, disse.
Ruas já tinha sido eleito para o cargo em votação rápida da Alerj, mas em decisão da presidente em exercício do TJRJ, a eleição foi anulada por considerar que o processo eleitoral só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos nos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.
Com Estadão Conteúdo
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