
Eloy Terena, nomeado ministro dos povos indígenas
Divulgação/MPI
A reforma ministerial de março de 2026, impulsionada pelo calendário eleitoral, trouxe uma mudança significativa para a gestão das políticas indigenistas no Brasil. Com a saída de Sônia Guajajara para disputar a reeleição como deputada federal, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) passa a ser liderado por Luiz Henrique Eloy Amado, amplamente conhecido como Eloy Terena.
Diferente do perfil de mobilização de massas de sua antecessora, Eloy Terena consolidou sua reputação nos tribunais. Natural da aldeia Ipegue, em Aquidauana (MS), ele traz para o cargo uma formação acadêmica robusta, como Doutor em Antropologia Social (UFRJ) e em Ciências Jurídicas e Sociais (UFF).
Sua trajetória é marcada por um marco histórico: ele foi o primeiro advogado indígena a realizar uma sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF) em nome da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), onde coordenou o setor jurídico. Sua atuação foi decisiva em julgamentos complexos, como o do marco temporal, no qual defendeu a tese da inconstitucionalidade da restrição temporal para a demarcação de terras.
Ao assumir o ministério, Eloy carrega o peso de ser uma voz vinda do Mato Grosso do Sul, estado que é palco de alguns dos conflitos fundiários mais intensos do país. Como secretário-executivo (o "número dois" da pasta) desde 2023, ele já coordenava a gestão administrativa e o orçamento do MPI.
Agora, como titular, sua missão será acelerar os processos de demarcação que enfrentam gargalos jurídicos e políticos, equilibrando o diálogo com o Congresso e com o setor produtivo. Sua ascensão é vista por analistas como um movimento de "tecnificação" da pauta indígena, priorizando a segurança jurídica das homologações.
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