
Morcegos urbanos estão sendo identificados com o vírus da raiva; entenda e previna casos
Divulgação/Prefeitura Munic Botucatu
Casos de raiva foram identificados em São Paulo e Santa Catarina nas últimas semanas, em morcegos urbanos e bovinos. Até agora, já foram identificados 36 casos - 27 em bovinos em Santa Catarina e 9 em morcegos urbanos no estado de São Paulo. Esses morcegos contaminados foram capturados nas cidades de Piracicaba, Cotia, Sorocaba e São José do Rio Preto.
Santa Catarina acumula mortes de animais por raiva bovina
Em Santa Catarina, a Secretaria Estadual de Agricultura confirmou 27 mortes de bovinos causadas por raiva em 2026. Um dos registros mais recentes ocorreu no município de Itapiranga.
Transmitida principalmente pela mordida do morcego hematófago (Desmodus rotundus), a doença gera severos prejuízos econômicos e riscos à saúde pública. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) orienta os produtores rurais a vacinarem urgentemente seus rebanhos contra a doença e a notificarem os órgãos oficiais sobre a presença de abrigos do vetor na região.
Cidades paulistas confirmam vírus em morcegos urbanos
Em São Paulo, levantamentos epidemiológicos indicam a confirmação de ao menos 9 casos de raiva em morcegos nos primeiros meses de 2026. As ocorrências foram diagnosticadas em municípios como Piracicaba, Cotia, Sorocaba e São José do Rio Preto.
Em Piracicaba, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) confirmou o diagnóstico positivo em um morcego recolhido no bairro São Dimas. A circulação do vírus também é monitorada ativamente pelas vigilâncias municipais de outros estados, como Ceará, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, que realizaram apreensões preventivas de morcegos insetívoros e frugívoros com resultado positivo.
Riscos para a população e sinais de comportamento alterado
A raiva é uma encefalite viral grave com taxa de letalidade próxima de 100%. A transmissão para humanos ou animais domésticos ocorre pelo contato com a saliva do animal infectado, seja por meio de mordidas, arranhões ou lambidas em pele lesionada ou mucosas.
O alerta principal para a população urbana é observar o comportamento dos morcegos. Animais infectados pelo vírus apresentam alterações neurológicas e costumam:
Cair no chão em locais abertos, calçadas ou quintais;
Voar durante o dia (hábito atípico para a espécie);
Apresentar dificuldade de voo, desorientação ou paralisia.
Atenção com cães e gatos: Animais de estimação curiosos podem tentar caçar morcegos caídos no chão. Se o pet não estiver vacinado, pode contrair a doença e transmiti-la aos tutores. A vacina antirrábica anual para cães e gatos é fundamental.
Como prevenir a infecção e proteger a casa
Para evitar a presença de morcegos e proteger os ambientes domésticos, as autoridades recomendam:
Vacinação antirrábica em dia: Mantenha cães e gatos imunizados todos os anos.
Barreiras físicas: Instale telas em janelas e vede frestas ou aberturas em telhados, forros e dutos de ar.
Manejo ambiental: Mantenha depósitos e sótãos iluminados e evite o acúmulo de alimentos expostos.
Vale ressaltar que os morcegos são animais silvestres protegidos por lei (Lei nº 9.605/1998) e exercem papel ecológico crucial no controle de insetos e na polinização. É proibido matá-los ou exterminar colônias.
O que fazer se encontrar um morcego em casa
Nunca toque no animal diretamente: Mesmo aparentando estar morto ou fraco, o morcego pode morder por reflexo.
Isole o local: Feche as portas do cômodo e retire crianças e pets da área.
Capture com segurança (se necessário): Coloque um balde, bacia ou caixa de papelão invertida sobre o morcego. Deslize um papelão rígido por baixo para vedar e coloque um peso em cima.
Acione a Zoonoses: Ligue para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou para a Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade para o recolhimento e análise do animal.
O que fazer em caso de acidente ou contato físico
Caso ocorra mordida, arranhão ou contato direto com a saliva do morcego:
Lave o local imediatamente: Use água corrente e sabão neutro de forma abundante por pelo menos 15 minutos.
Busque atendimento médico imediato: Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Pronto Socorro mais próximo.
Inicie a profilaxia pós-exposição: A vacina antirrábica e o soro (quando indicado) devem ser aplicados o quanto antes. A profilaxia precoce previne o desenvolvimento da doença de forma 100% eficaz se iniciada antes do aparecimento de sintomas.

