
Câncer de pâncreas é agressivo
Divulgação/Hospital Albert Einstein
Resumo
Uma pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha desenvolveu uma combinação de medicamentos capaz de eliminar completamente tumores de pâncreas em modelos animais, atacando simultaneamente o oncogene KRAS e as proteínas EGFR e STAT3, principais responsáveis pelo avanço e resistência do câncer.
Os resultados publicados na revista PNAS mostraram desaparecimento dos tumores em três a quatro semanas, trazendo esperança para um câncer com diagnóstico geralmente tardio e alta letalidade, já que no Brasil ocupa a 14ª posição em frequência, mas é o 5º mais letal entre as mulheres, responsável por 5% das mortes por câncer.
O estudo, liderado pelo oncologista Mariano Barbacid, encontra-se em fase experimental e ainda exige refinamento das substâncias antes de avançar para testes em humanos, mas oferece uma perspectiva inédita de tratamento para pacientes com baixa imunidade e poucas opções terapêuticas.
O combate ao câncer de pâncreas — um dos tipos mais agressivos e letais da oncologia — acaba de ganhar um capítulo esperançoso. Uma pesquisa conduzida pelo Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO) criou uma combinação de medicamentos capaz de eliminar completamente tumores pancreáticos em modelos animais.
Os resultados, publicados na revista científica PNAS, revelaram que os tumores desapareceram em um período de três a quatro semanas. Mais do que a cura em camundongos, o estudo traz uma solução para um dos maiores gargalos da medicina atual: a resistência tumoral aos remédios.
A nova terapia não aposta em apenas um caminho, mas em três frentes simultâneas. A estratégia combina compostos que interrompem o crescimento das células malignas atacando pontos vitais do tumor, o oncogene KRAS, que é principal vilão e motor do câncer de pâncreas, e as proteínas EGFR e STAT3, vias de sinalização que o tumor utiliza para progredir e sobreviver. Ao bloquear esses três alvos ao mesmo tempo, os cientistas conseguiram "encurralar" a doença, impedindo que ela se adaptasse e voltasse a crescer.
Por que o câncer de pâncreas é tão letal?
O pâncreas é uma glândula situada atrás do estômago, essencial na produção de insulina e enzimas digestivas. O grande perigo deste câncer, cujo tipo mais comum é o adenocarcinoma (90% dos casos), reside no fato de ele ser silencioso. "A localização do órgão e a ausência de sintomas precoces fazem com que a maioria dos diagnósticos ocorra em fases avançadas", explicam os coordenadores da pesquisa..
No Brasil, os dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) são alarmantes. A doença ocupa a 14ª posição em frequência, mas é o 5º mais letal entre as mulheres. Representa apenas 1% dos casos totais de câncer, mas responde por cerca de 5% das mortes por doenças oncológicas no país.
O caminho até os humanos
Liderado pelo renomado oncologista Mariano Barbacid, o estudo ainda está em fase experimental. O próximo desafio é o "refinamento" das substâncias. Como os testes em camundongos mostraram que a regressão ocorreu sem depender do sistema imunológico, a terapia surge como uma luz no fim do túnel inclusive para pacientes com imunidade baixa.
Embora a equipe reconheça que a transição para ensaios clínicos com seres humanos "não será fácil", o sucesso absoluto na eliminação dos tumores em laboratório abre uma perspectiva inédita para aumentar a sobrevida de pacientes que, historicamente, enfrentam poucas opções de tratamento.

