Saúde

Congelar o corpo e fazer networking: a nova tendência do wellness

Clubes unem crioterapia, socialização e longevidade em uma única experiência

Lucas Machado
LUCAS MACHADO

06/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 06/07/2026 • 07:00

Academias se tornam locais para networking e bem-estar

Academias se tornam locais para networking e bem-estar

Pexels

Executivos deixam o celular no armário, entram em uma banheira de gelo, passam pela sauna e seguem para uma conversa que pode misturar saúde, trabalho e vida pessoal. A cena, antes mais associada a clubes privados de wellness em cidades como Los Angeles e Nova York, começou a aparecer também em São Paulo com espaços que tratam recuperação física e convivência como parte da mesma experiência.

Compartilhar

A lógica é diferente da academia tradicional. O frequentador não vai apenas treinar, suar e ir embora. Ele participa de sessões guiadas, encontra outras pessoas e permanece em um ambiente desenhado para criar pausa, ritual e pertencimento. O bem estar deixa de ser consumido apenas como serviço individual e passa a ocupar uma posição próxima à de clube social.

O Kontrast, em São Paulo, é o exemplo brasileiro mais claro desse movimento. O espaço se apresenta como um social wellness club e reúne experiências de sauna, gelo e respiração, além de atividades pensadas para serem vividas em grupo. Reportagens sobre o endereço citam sessões coletivas de sauna, imersão no gelo e respiração guiada, aproximando o conceito de práticas regenerativas e convivência urbana.

Essa combinação explica por que o tema ganhou força entre públicos de maior renda. O frio extremo, a respiração guiada e a sauna entram como linguagem corporal de disciplina, recuperação e autocuidado. A conversa após a sessão funciona como extensão da experiência. Não é networking de cartão de visita. É um tipo de aproximação mais informal, sustentado por rotina, presença física e interesses parecidos.

Fora do Brasil, marcas como Remedy Place ajudaram a dar forma a esse modelo ao transformar terapias de recuperação em experiência social. Banhos de contraste, câmaras de frio, luz vermelha, compressão pneumática e ambientes de convivência passaram a dividir o mesmo espaço. O resultado lembra menos um spa silencioso e mais um clube contemporâneo de performance e longevidade.

A palavra longevidade, porém, precisa ser usada com cuidado. Banhos de gelo, sauna e crioterapia são associados por muitos frequentadores à recuperação muscular, disposição e sensação de bem estar. Isso não significa que qualquer sessão isolada aumente a expectativa de vida. O que se pode afirmar com segurança é que esses espaços se apropriaram da estética da longevidade e a transformaram em produto de lifestyle.

São Paulo entra nessa conversa por uma razão simples. A cidade concentra público disposto a pagar por experiências de saúde, performance e exclusividade. Em vez de procurar apenas academia, spa ou clínica, parte desse consumidor passou a buscar lugares onde o corpo, a mente e a rede de contatos aparecem no mesmo pacote.

O wellness deixou de ser apenas massagem, dieta ou treino. Em sua versão mais sofisticada, virou agenda social. A banheira de gelo pode ser o ritual de entrada. A conversa que vem depois talvez seja o verdadeiro produto.

Tópicos relacionados