
Dia Mundial do Parkinson: informação e apoio para conviver bem com a doença
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No Dia Mundial da Doença de Parkinson, celebrado neste sábado (11), a rede pública de saúde reforça a importância da informação para que pacientes e familiares reconheçam sinais precoces, busquem diagnóstico clínico e tenham acesso a tratamento integral, incluindo reabilitação, tecnologia e adaptações no ambiente doméstico.
A doença de Parkinson é uma condição crônica, progressiva e degenerativa do sistema nervoso. Ela ocorre principalmente pela morte de neurônios responsáveis pela produção de dopamina, substância que participa do controle dos movimentos do corpo.
Apesar dos desafios, o cuidado adequado permite manter vínculos, atividades e autonomia por muitos anos.
Sinais e diagnóstico: o que observar antes dos primeiros tremores
Os sintomas mais conhecidos do Parkinson são motores, como tremor de repouso, lentidão dos movimentos (bradicinesia) e rigidez muscular. No entanto, o corpo costuma emitir alertas antes dessas manifestações clássicas.
Sintomas não motores, como perda ou alteração do olfato, constipação intestinal persistente, distúrbios do sono, depressão e ansiedade podem aparecer na fase inicial. Alterações no equilíbrio, na postura e na escrita também merecem atenção, especialmente em pessoas acima de 60 anos.
Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme a doença de forma isolada. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história do paciente e no exame neurológico detalhado.
Na rede pública, o caminho começa pela Unidade Básica de Saúde, onde a equipe de Atenção Primária identifica os sinais de alerta e encaminha para o neurologista e demais especialistas quando necessário.
Exames complementares, como tomografia e ressonância, costumam ser solicitados para descartar outras causas de sintomas semelhantes. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de controlar manifestações motoras e preservar a independência.
Tratamento integral: o papel dos remédios e da reabilitação no SUS
Conviver bem com o Parkinson exige um cuidado que vai além das medicações. O SUS oferece tratamento integral, que associa remédios gratuitos a um plano de reabilitação multiprofissional para reduzir a incapacidade funcional e ampliar a autonomia.
Entre os medicamentos disponíveis na rede pública estão a levodopa, o pramipexol, a rasagilina, a amantadina e o biperideno, entre outros.
Eles atuam em diferentes etapas da produção e ação da dopamina para aliviar tremores, rigidez e lentidão.
O movimento também é considerado um remédio. Exercícios físicos regulares, como caminhada orientada, tai chi chuan, fisioterapia convencional e treinamento em esteira ergométrica são amplamente recomendados por melhorarem a velocidade da marcha, a força muscular, o equilíbrio e a prevenção do congelamento da marcha.
A reabilitação envolve ainda fonoaudiologia, para cuidar da fala e da deglutição, psicologia, para acolher ansiedade e depressão, e nutrição, importante para manter peso adequado e prevenir complicações.
Tecnologia e cirurgia: quando o implante de DBS é indicado
Para um grupo seleto de pacientes, quando mesmo o tratamento medicamentoso otimizado já não oferece controle satisfatório dos sintomas motores, a tecnologia pode ser uma aliada importante.
Em serviços de referência do SUS, está disponível a cirurgia de implante de Estimulador Cerebral Profundo (DBS, na sigla em inglês).
Nesse procedimento, a equipe implanta eletrodos em áreas específicas do cérebro, ligados a um gerador de pulsos elétricos colocado sob a pele. A estimulação ajuda a regular circuitos neuronais ligados ao movimento.
Em geral, a indicação vale para pessoas com diagnóstico estabelecido há pelo menos cinco anos, que ainda respondem bem à levodopa, mas apresentam complicações motoras incapacitantes, como períodos prolongados de travamento e movimentos involuntários intensos (discinesias).
A cirurgia não cura o Parkinson nem interrompe a progressão da doença, mas pode reduzir significativamente o tempo em que o paciente permanece com grande limitação motora, melhorar o controle do tremor e permitir ajustes na dose de medicamentos.
A decisão é individualizada e envolve avaliação cuidadosa de riscos e benefícios por uma equipe especializada.
Segurança e autonomia: adaptando a rotina e o ambiente doméstico
Com a evolução do quadro, aumenta o risco de quedas devido à rigidez, à instabilidade postural e a alterações no equilíbrio. Nesse cenário, a terapia ocupacional tem papel central.
Nos Centros Especializados de Reabilitação (CER) do SUS, terapeutas ocupacionais ajudam a reorganizar o dia a dia, transformar tarefas complexas em etapas simples, estimular o autocuidado e propor adaptações no ambiente físico.
Entre as medidas práticas que esses profissionais costumam recomendar estão retirar tapetes soltos e fios elétricos do caminho, garantir boa iluminação, instalar barras de apoio em banheiros, usar corrimão em escadas, optar por pisos antiderrapantes e priorizar calçados fechados e firmes.
Ajustes como elevar a altura de cadeiras e camas e deixar objetos de uso frequente ao alcance das mãos também facilitam a rotina.
Na fisioterapia, o plano de exercícios preventivos se apoia em ferramentas validadas cientificamente. Uma das principais é a Escala de Equilíbrio de Berg, um teste específico para avaliar o equilíbrio em diferentes situações, como levantar-se de uma cadeira, girar o corpo e manter-se em pé sem apoio.
A pontuação orienta a intensidade dos treinos, a necessidade de auxílio para caminhar e as estratégias para reduzir o risco de quedas.
O cuidado centrado na pessoa, somado ao apoio de familiares, cuidadores, equipes da Atenção Primária e serviços especializados do SUS, é decisivo para que quem vive com Parkinson enfrente a progressão da doença com mais segurança, autonomia e qualidade de vida.

