Saúde

Endometriose pode começar na adolescência e ainda é ignorada por pais

Especialista alerta que sintomas precoces são frequentemente normalizados, atrasando o diagnóstico e agravando a qualidade de vida de jovens

Da redação
DA REDAÇÃO

25/03/2026 • 15:03 • Atualizado em 25/03/2026 • 15:03

Endometriose: saiba o que é e quais são os sintomas

Endometriose: saiba o que é e quais são os sintomas

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A endometriose, frequentemente associada à vida adulta, pode ter início ainda na adolescência, mas segue subdiagnosticada no Brasil. Especialistas apontam que a demora na identificação da doença está ligada, em grande parte, à normalização de sintomas como cólicas intensas, o que dificulta o reconhecimento precoce do problema.

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De acordo com o ginecologista Jardel Pereira Soares, a percepção cultural de que a dor menstrual é algo comum contribui para que sinais importantes sejam ignorados. “Existe uma ideia equivocada de que sentir dor intensa durante a menstruação é normal, especialmente entre adolescentes”, afirma.

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio passa a se desenvolver fora do útero, provocando inflamações, dores persistentes e, em alguns casos, infertilidade. Embora seja uma condição progressiva, os primeiros sintomas costumam surgir logo após a primeira menstruação, o que reforça a necessidade de atenção desde cedo.

Entre os sinais que podem indicar a presença da doença ainda na adolescência estão cólicas menstruais incapacitantes, faltas frequentes à escola durante o período menstrual, dores pélvicas fora do ciclo e sintomas gastrointestinais, como inchaço abdominal, diarreia ou constipação. O uso recorrente de analgésicos sem melhora significativa também é considerado um alerta.

Além do ambiente familiar, a escola pode ter papel relevante na identificação desses indícios. Ausências frequentes ou dificuldades de concentração relacionadas ao período menstrual podem sinalizar a necessidade de avaliação médica.

Especialistas destacam que o acompanhamento ginecológico deve começar ainda na adolescência, sobretudo em casos com histórico familiar da doença. O diagnóstico precoce é apontado como fator importante para controlar a progressão e reduzir impactos na qualidade de vida.

O atraso na identificação da endometriose pode afetar não apenas a saúde física, mas também o desempenho escolar, o bem-estar emocional e a vida social das jovens. Para médicos, ampliar o debate sobre o tema e reduzir o tabu em torno da menstruação são medidas fundamentais para melhorar o reconhecimento dos sintomas e o acesso ao tratamento.

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