
TEA em crise: o protocolo do SUS que prioriza UPAs e evita o isolamento
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O Dia Mundial do Autismo é celebrado anualmente em 2 de abril. A data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2007 para a conscientização acerca de pessoas que estão no espectro autista.
No Brasil, a Lei Berenice Piana, de 2012, determinou que pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) têm os mesmos direitos que as pessoas com deficiência no SUS, com profissionais da psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Em 2021, um projeto de lei ampliou esse atendimento, incluindo o acesso a medicamentos.
Em situações de crise, o SUS (Sistema Único de Saúde) aconselha que pessoas com TEA recebam atendimento inicial em UPAs 24h (Unidades de Pronto Atendimento) ou em portas hospitalares de urgência em todo o país.
A recomendação é para que essas pessoas não sejam levadas diretamente a hospitais psiquiátricos, com foco inicial na estabilização e na definição do encaminhamento à rede especializada.
Atendimento: UPA vs. hospital psiquiátrico
Quando uma pessoa com TEA enfrenta uma crise que exige cuidado imediato, o protocolo do SUS orienta que a porta de entrada seja a UPA 24h ou o pronto-socorro hospitalar.
Nessas unidades, as equipes avaliam o quadro clínico geral, estabilizam sinais vitais e fazem um diagnóstico preliminar da situação.
A norma exclui expressamente o encaminhamento direto para hospitais psiquiátricos. Essa organização do fluxo busca garantir um atendimento digno, evitar o isolamento em serviços fechados e permitir uma avaliação ampla do estado de saúde, considerando tanto aspectos físicos quanto comportamentais e emocionais.
Somente após essa primeira avaliação as equipes definem a necessidade de encaminhamento para a rede de suporte especializado em saúde mental e reabilitação.
Entre esses serviços, estão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Centros Especializados em Reabilitação (CER), responsáveis pelo seguimento contínuo, apoio à família e construção de um plano terapêutico individualizado.
Quando acionar o SAMU 192
Em episódios de crise aguda, a pessoa no espectro pode apresentar forte agitação psicomotora, hiperatividade, inquietude, angústia, irritabilidade intensa ou necessidade de falar em excesso.
Em alguns casos, esses sinais evoluem para atitude hostil, comportamento ameaçador, agressões físicas ou verbais e necessidade de contenção.
Quando há risco à integridade da própria pessoa ou de terceiros, o protocolo indica acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192).
A equipe pré-hospitalar realiza o primeiro manejo da crise no local, adota medidas de segurança e providencia o transporte até a UPA ou porta hospitalar de urgência mais adequada, evitando deslocamentos improvisados e situações de maior estresse.
Estratégias de acolhimento em momentos agudos
Para reduzir o sofrimento e evitar o isolamento, o SUS recomenda estratégias de acolhimento adaptadas às necessidades sensoriais e comportamentais de cada pessoa com TEA.
A presença de alguém de confiança, como familiar ou cuidador, durante o atendimento é considerada uma medida importante para favorecer a sensação de segurança e colaborar com as equipes.
Também são indicados recursos lúdicos, estímulos à imaginação e o uso de música, sempre que possível, como ferramentas para auxiliar na estabilização do quadro agudo.
Esses elementos podem ajudar a redirecionar a atenção, diminuir a ansiedade e tornar o ambiente mais previsível e menos ameaçador.
Para que essas abordagens funcionem de forma consistente, as unidades de saúde precisam planejar previamente, em conjunto com familiares e cuidadores, quais estratégias funcionam melhor para cada pessoa.
O protocolo reforça que o atendimento em crises deve respeitar a individualidade de quem está no espectro e integrar cuidado técnico, segurança e acolhimento.

