
Evento trouxe importantes avanços no tratamento de diversos tipos de câncer
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O Congresso Americano de Oncologia (ASCO 2026), realizado na semana passada em Chicago, trouxe importantes avanços no tratamento de diversos tipos de câncer, com resultados promissores envolvendo novas terapias, combinações de medicamentos e estratégias cada vez mais personalizadas.
No entanto, a prevenção também ocupou espaço de destaque nas discussões, especialmente diante da crescente preocupação com fatores de risco modificáveis, como o sedentarismo, a obesidade e as doenças metabólicas.
Nesse contexto, ganha relevância o debate sobre o papel dos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Inicialmente desenvolvidas para o tratamento do diabetes e, mais recentemente, incorporadas ao manejo da obesidade, essas medicações vêm despertando o interesse da comunidade científica por seus possíveis efeitos na redução do risco de diversos tipos de tumores.
Um dos estudos apresentados durante o congresso reforça essa discussão ao avaliar o impacto dessas terapias não apenas no controle metabólico, mas também na prevenção oncológica.
Para o oncologista Fernando Maluf, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, um dos trabalhos mais importantes avaliou o potencial dessas medicações para a prevenção do câncer, especialmente em comparação com outras terapias já estabelecidas para o tratamento do diabetes.
“Diferentemente de outros trabalhos, esta pesquisa comparou diretamente o uso das canetinhas com pacientes diabéticos que utilizavam insulina ou metformina, um medicamento oral amplamente utilizado há décadas. O objetivo foi entender se haveria diferença no risco de desenvolvimento de câncer entre essas diferentes abordagens terapêuticas”, explica o médico.
“Os resultados mostraram que uma das medicações da classe dos agonistas do GLP-1 esteve associada a uma redução importante no risco de diversos tipos de câncer quando comparada às terapias tradicionais para diabetes. No câncer de pulmão, a incidência foi reduzida em 92%. No câncer de pâncreas, a redução foi superior a 80%. Já no câncer de mama, o risco caiu em cerca de 60%”, destaca Maluf.
Além desses tumores, também foram observadas reduções em câncer de fígado, colorretal, renal e de útero, entre outros. Para o oncologista, esses achados reforçam a hipótese de que essas medicações podem exercer um efeito mais amplo na redução do risco oncológico, especialmente em pacientes com diabetes e síndrome metabólica.
“No conjunto dos dados apresentados, o estudo sugere que as canetinhas não apenas se associam ao controle do diabetes, mas também podem estar relacionadas a uma menor incidência de diferentes tipos de câncer, mesmo quando comparadas a tratamentos consagrados como insulina e metformina”, ressalta o oncologista Fernando Maluf.

