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Esmagamento de soja no Brasil deve atingir recorde de 61,5 mi de toneladas

Projeção da Abiove indica alta na atividade industrial e na produção de farelo e óleo para atender mercado interno e externo em 2026

VIVIANE TAGUCHI

19/03/2026 • 12:32 • Atualizado em 19/03/2026 • 12:32

O esmagamento da soja resulta em farelo e óleo vegetal

O esmagamento da soja resulta em farelo e óleo vegetal

R.R Rufino/Embrapa

O esmagamento de soja no Brasil deve alcançar o recorde histórico de 61,5 milhões de toneladas em 2026, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (19) pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A estimativa apresenta um crescimento de 0,8% em relação aos números projetados em janeiro e reflete o fortalecimento da indústria processadora nacional.

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Além do avanço no processamento, a instituição elevou a previsão para a produção total do grão no país em 0,4%, estimando uma safra de 177,8 milhões de toneladas para o período.

O esmagamento é o processo industrial no qual o grão de soja é quebrado e processado para a extração de seus dois principais subprodutos: o farelo e o óleo vegetal. Este aumento na atividade industrial é impulsionado pela maior oferta de matéria-prima e pela demanda por produtos de maior valor agregado. Para 2026, a produção de farelo de soja está estimada em 47,4 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja deve chegar a 12,3 milhões de toneladas.

Foco em proteína e bioenergia

Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove, ressalta que o ajuste positivo nas projeções demonstra a preparação do setor industrial brasileiro. Segundo o executivo, as usinas estão prontas para absorver a safra recorde e transformar o grão em proteína animal e bioenergia, essencial para o biodiesel. Ele destaca que esse movimento fortalece diretamente a segurança alimentar e energética do Brasil.

No cenário das exportações, a cadeia da soja mantém números robustos. A Abiove projeta o embarque de 111,5 milhões de toneladas de soja em grão e 24,6 milhões de toneladas de farelo, mantendo a estabilidade em relação ao relatório anterior. Já as vendas externas de óleo de soja ganharam fôlego, com previsão de alta de 3,4%, totalizando 1,5 milhão de toneladas enviadas ao mercado internacional.

Histórico de crescimento do setor

O desempenho recente da indústria já antecipava o viés de alta. Em janeiro deste ano, o Brasil processou 3,6 milhões de toneladas de soja, volume 8,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O crescimento é contínuo, considerando que o fechamento de 2025 registrou 58,7 milhões de toneladas esmagadas, superando os 55,8 milhões do ano retrasado.

A consolidação do esmagamento no Brasil é estratégica para reduzir a dependência da exportação do grão in natura. Ao processar a soja internamente, o país retém valor, gera empregos na indústria e atende à crescente demanda do setor de proteína animal, que utiliza o farelo na composição de rações. O óleo, por sua vez, segue como peça-chave tanto para o consumo humano quanto para a produção de combustíveis renováveis