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Abate recorde de fêmeas eleva preço de reposição no Brasil em 2026

Mato Grosso do Sul registra maior média real para o bezerro Nelore desde junho de 2021; valorização reflete redução na oferta de animais

Da redação
DA REDAÇÃO

19/03/2026 • 11:44 • Atualizado em 19/03/2026 • 11:44

Gustavo Rafael/ABCB

Resumo

O aumento recorde no abate de fêmeas na pecuária brasileira em 2025, com 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas enviadas ao frigorífico, elevou o volume em 3 milhões de cabeças em relação ao ano anterior, segundo dados do IBGE e análise do Cepea.

A valorização do gado jovem é impulsionada pela retirada de matrizes do sistema produtivo, refletida no preço do bezerro nelore (8 a 12 meses) em Mato Grosso do Sul, que atingiu R$ 3.254,37 em março de 2026, alta de 3% sobre fevereiro e 24,3% em relação a março de 2025.

A redução na oferta de vacas e novilhas no ciclo pecuário diminui a disponibilidade de bezerros para as próximas safras, provoca escassez, aumenta os custos de reposição e marca a maior alta nos preços em quase cinco anos, com incrementos de 15,8% no abate de vacas e 23,5% de novilhas em 2025.

O descarte histórico de matrizes na pecuária brasileira está impulsionando os preços dos animais de reposição em março de 2026. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados por pesquisadores do Cepea, revelam que o país atingiu um volume recorde de abate de fêmeas ao longo de 2025. Foram enviadas para o frigorífico 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas, o que representa um aumento absoluto de 3 milhões de cabeças em comparação ao ano anterior.

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Esse movimento de retirada de fêmeas do sistema produtivo explica a atual valorização do gado jovem. No Mato Grosso do Sul, praça de referência para o Indicador CEPEA/ESALQ, o bezerro nelore (de 8 a 12 meses) atingiu a média de R$ 3.254,37 nesta parcial de março. O valor é 3% superior ao registrado em fevereiro e 24,3% maior que o de março de 2025, em termos reais.

Impacto na reposição e ciclo pecuário

A alta nos preços é a mais expressiva em quase cinco anos, superando marcas registradas desde junho de 2021. Especialistas explicam que o "ciclo da pecuária" — período que compreende desde a cria até o abate — é diretamente afetado pelo abate de fêmeas. Quando o produtor reduz o número de vacas e novilhas, a oferta de bezerros para as próximas safras diminui, gerando escassez e consequente aumento nos custos de reposição para os recriadores e invernistas.

O incremento no abate de vacas adultas foi de 15,8%, enquanto o de novilhas saltou 23,5% em 2025. Esse volume expressivo de fêmeas destinadas ao corte retira do mercado a base produtiva responsável por gerar os novos animais que abasteceriam o setor nos anos seguintes.

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