O agronegócio brasileiro teve uma participação intensa ao longo da COP30, que termina nesta sexta-feira (21), em Belém (PA). O AgroBand acompanhou as duas semanas intensas de debates e mostrou como o agronegócio nacional se mostrou ser uma referência mundial para a agricultura de baixo carbono.
Um dos projetos apresentados durante a conferência foi o “Rota Amazônica”, que envolve 35 famílias dedicadas à produção diversificada, ao turismo rural e à conservação ambiental. Hortência, produtora do Pará, relatou sua experiência na produção do bacuri, fruta típica da região, e a criação de um projeto voltado à preservação. Segundo ela, “a preservação é um trabalho onde a gente leva para o pequeno produtor, para os parceiros locais”.
A história foi destaque em um dos painéis organizados pela CNA, mostrando o produtor como agente de mudanças no clima. Segundo a produtora, o modelo de negócio foi desenvolvido de forma gratuita, disseminando tecnologia social aos produtores locais.
O painel também contou com a participação do presidente da federação de agricultores do Canadá, que abordou as práticas sustentáveis na produção de grãos em seu país, ressaltando “a sustentabilidade como uma solução adicional”.
O professor e ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, representante do agro na conferência, enfatizou o legado da COP 30 para o setor. “A agricultura, pecuária, floresta são fatores favoráveis. E do que leva com o que conheceu aqui? A gente tem muito a aprender com os brasileiros em termos de sustentabilidade”, concluiu Rodrigues.
Gideão Pereira, produtor rural do Rio Grande do Sul e vice-presidente da CNA, chamou atenção para os desafios enfrentados pelos produtores gaúchos diante das mudanças climáticas. “Existe mudança climática? Eu acredito que sim. Meu estado é testemunha do que vem acontecendo. Já 4 safras nós deixamos de colher 50 milhões de toneladas de grão por excesso, por falta de chuva”, relatou. Pereira ressaltou que criar condições para adaptação e resiliência dos produtores é fundamental, mas que isso depende de recursos equilibrados para investimentos contínuos em eficiência produtiva. “Precisamos é arrumar recursos equilibrados para que esses produtores possam fazer os investimentos necessários para melhorar, e sempre continuamente, a eficiência produtiva e aí eles estarão exatamente contribuindo”, disse.
Na avaliação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a agenda de ações propostas reiterou ao mundo como o Brasil tem investido para uma produção de alimentos, fibras e bioenergia cada vez mais sustentável e com baixa emissão de carbono, com o uso de ciência, tecnologia e inovação. “A apresentação de cases, de pesquisas e da realidade no campo mostrou os motivos pelos quais a agricultura brasileira é sustentável e, ao mesmo tempo, possui índices elevados de produtividade, desmitificando conceitos frequentemente distorcidos sobre a atividade. Certamente, este é um dos legados desta Conferência”, afirmou Giuliano Alves, gerente de Sustentabilidade e Projetos da ABAG.
A AgriZone, estrutura montada pela Embrapa, juntamente com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e com a parceria de entidades setoriais relevantes, teve um papel estratégico, ao possibilitar que negociadores internacionais pudessem conhecer o papel da agricultura tropical na mitigação e adaptação das mudanças climáticas. “Esse trabalho fará a diferença nas próximas Conferências”, pondera Alves.
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