
Produtores brasileiros de alho pedem ajuda para combater o alho chinês e argentino
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O setor produtivo de alho no Brasil enfrenta uma crise severa devido ao aumento dos custos de produção e ao avanço das importações da China e da Argentina. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), a concorrência desleal e suspeitas de dumping estão reduzindo drasticamente a competitividade do produto nacional.
O cenário foi o tema central da reunião-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), realizada na última terça-feira (14). Durante o encontro, que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, representantes do setor entregaram um pleito pedindo medidas urgentes de defesa comercial para evitar o colapso da atividade no país.
Impacto na produção nacional e empregos
A situação é considerada crítica especialmente na região Sul. O deputado Ismael dos Santos (PL-SC), integrante da FPA, apresentou dados alarmantes sobre o impacto da entrada do alho estrangeiro no mercado brasileiro. Segundo o parlamentar, o custo de produção elevado impede que o agricultor local compita em pé de igualdade.
“A Argentina está colocando um quilo de alho no Brasil a R$ 6. O produtor brasileiro está vendendo a R$ 11 por causa do custo”, afirmou o deputado. Ele ressaltou que 80% da produção argentina é destinada ao mercado brasileiro, o que coloca em risco cerca de 60 mil empregos apenas no estado de Santa Catarina.
A disparidade de preços pode inviabilizar até 60% da safra catarinense. Para o setor, o termo dumping — que ocorre quando uma empresa exporta um produto a um preço inferior ao praticado no seu mercado interno ou abaixo do custo de produção — é a principal explicação para essa diferença de valores.
Investigação contra o alho argentino e chinês
A Anapa protocolou um documento oficial solicitando duas ações principais ao Governo Federal. A primeira é a abertura imediata de uma investigação antidumping sobre o alho vindo da Argentina. A entidade alega que o produto vizinho entra no Brasil fora dos padrões e classificações exigidos pelos órgãos reguladores nacionais.
O segundo ponto trata da revisão das medidas aplicadas ao alho da China. Atualmente, existe um compromisso de preço fixado em US$ 15,80 para a caixa de 10 quilos do produto chinês. No entanto, a Anapa alerta que há uma tendência de queda desse valor para US$ 15 na próxima revisão, o que seria insuficiente para proteger o mercado interno.
O presidente da Anapa, Rafael Corsino, destacou que o custo de produção no Brasil subiu significativamente nos últimos anos. “Com a guerra e outros fatores, o nosso custo, que era de US$ 23 por caixa, hoje já está em US$ 24”, explicou Corsino. A entidade defende que o modelo de compromisso de preço seja revisto para refletir a realidade dos custos atuais.
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