O bacalhau é presença garantida nas celebrações de Páscoa no Brasil, especialmente na tradicional Sexta-feira Santa. O peixe, originário dos mares gelados do Atlântico Norte, ganhou espaço nas mesas brasileiras em receitas que atravessam gerações e unem rituais religiosos à culinária nacional.
O consumo do item está profundamente ligado à tradição cristã, especificamente ao período da Quaresma. Historicamente, o jejum de carne vermelha imposto pela Igreja Católica durante os 40 dias que antecedem a Páscoa impulsionou a popularização do peixe no país.
Como preparar o bacalhau ao forno tradicional
No AgroBand desta sexta-feira (3), o chef Francisco Ancileiro, de um restaurante em Brasília, demonstrou o passo a passo do preparo do bacalhau ao forno. Segundo o especialista, o segredo para manter a suculência do prato é utilizar postas finas durante o cozimento.
Para servir duas pessoas, a receita exige meio quilo de bacalhau dessalgado e quatro batatas inglesas pré-cozidas e descascadas. A montagem começa com uma camada de batatas fatiadas, seguida por um pimentão picado e uma cebola picada.
O bacalhau é disposto sobre os legumes, acompanhado de azeitonas pretas e tomates. Antes de ir ao forno por 15 minutos, o prato recebe uma concha generosa de azeite de oliva. "É uma tradição que vem de muito tempo, sobretudo ela se intensificou com o cristianismo", ressalta Ancileiro.
A harmonização ideal para este prato, de acordo com o chef, é um bom vinho tinto português. Como acompanhamento, o arroz de brócolis é a sugestão para completar a refeição de Páscoa.
Pirarucu: o "bacalhau da Amazônia" ganha destaque
Além do produto importado, a biodiversidade brasileira oferece uma alternativa de peso: o pirarucu. Conhecido como o "bacalhau da Amazônia" devido ao seu sabor e versatilidade, o peixe de água doce passa por um processo de salga e secagem ao sol semelhante ao método europeu.
Em Porto Velho (RO), o pirarucu salgado é vendido em mantas que ficam expostas ao sol por cinco dias, garantindo a conservação do alimento por meses. Comerciantes locais afirmam que a semelhança no paladar é o que atrai os consumidores que buscam uma opção regional para a data.
A chef Marita Moura explica que o processo de dessalga do pirarucu é idêntico ao do bacalhau tradicional: a água deve ser trocada de um dia para o outro. Após esse processo, uma leve aferventada facilita o desfiado para a montagem de pratos típicos da região Norte.
Pirarucu de casaca e tradição regional
Uma das receitas mais famosas é o "pirarucu de casaca". Neste preparo, o peixe desfiado é misturado com ingredientes aromáticos como cebola, alho, azeitona, chicória, pimenta de cheiro e alfavaca.
A montagem é feita sobre uma cama de farinhas típicas da Amazônia, como a farinha d’água, e acompanhada de banana frita. Mais do que uma refeição, o preparo do peixe amazônico é visto como um momento de reforço dos laços de amizade e tradição entre as famílias rurais e urbanas da região.
Seja vindo do Atlântico Norte ou dos rios da Amazônia, o peixe salgado permanece como o símbolo máximo de celebração e união à mesa durante o feriado da Páscoa no Brasil.
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