
Noruega é o maior produtor de bacalhau e a China compra os peixes para reexportar
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Resumo
O agronegócio brasileiro destaca o país como autossuficiente em alimentos e segundo maior exportador mundial, mas revela dependência de importações em setores como trigo e bacalhau devido à produção nacional insuficiente.
A tradição gastronômica brasileira incorpora o bacalhau como símbolo em datas especiais, porém o país permanece apenas como importador, já que as espécies legítimas do peixe vivem em águas frias do Hemisfério Norte, impossibilitando a produção local.
A liderança global da Noruega assegura cotas elevadas de captura e tecnologia de processamento, enquanto reduções futuras nas cotas do Mar de Barents pressionam o mercado; iniciativas de aquicultura norueguesa e atuação logística da China e Portugal complementam o abastecimento brasileiro via importações.
O agronegócio brasileiro coloca o Brasil em uma posição privilegiada em relação a outros países do mundo, já que, além de ser autossuficiente na produção de alimentos, ainda se tornou o segundo maior exportador de comida do mundo. No entanto, em alguns setores, o país ainda depende de importação, como no caso de trigo com uma produção insuficiente para atender a demanda da indústria de panificação, e do bacalhau.
Embora o bacalhau seja um ícone da gastronomia brasileira, especialmente em períodos como a Páscoa e o Natal, o Brasil atua estritamente como um dos maiores importadores mundiais, sem qualquer produção nacional do peixe.
E a razão é biológica e geográfica: as espécies legítimas de bacalhau, como o Gadus morhua, habitam exclusivamente as águas gélidas e profundas do Hemisfério Norte, com temperaturas que variam entre 0°C e 10°C, condições inexistentes na costa brasileira.
Noruega, berço do bacalhau
A Noruega consolida-se como a líder absoluta do mercado global, com uma produção anual que supera 500 mil toneladas. O país não apenas detém as maiores cotas de captura, mas também domina a tecnologia de processamento (salga e secagem), exportando para mais de 100 países.
No entanto, o cenário atual exige atenção do mercado importador. Para 2025 e 2026, as cotas de pesca no Mar de Barents — a principal "fazenda" de bacalhau do mundo, gerida conjuntamente por Noruega e Rússia — sofreram reduções drásticas para preservar a biomassa da espécie. Esta medida de sustentabilidade impacta diretamente o fluxo de oferta global e pressiona os preços nas gôndolas brasileiras.
Uma fronteira que começa a ser desbravada é a criação em cativeiro. Enquanto a pesca extrativa depende de ciclos naturais e maturidade de até 8 anos, a aquicultura na Noruega já consegue produzir juvenis que atingem o peso de abate (3 a 4 kg) em apenas 15 a 20 meses.
Apesar de promissora, a produção em tanques-rede ainda representa uma fração pequena do volume total se comparada à pesca industrial, servindo hoje como um complemento estratégico para garantir o fornecimento em épocas de baixas cotas extrativas.
Bacalhau chinês
O Brasil importa o bacalhau principalmente da Noruega, mas também de Portugal. Neste caso, o país atua como um grande centro de processamento, reexportando o peixe pescado no Atlântico Norte sob a tradição da cura portuguesa.
Nos últimos anos, porém, a China se consolidou-se como um hub logístico no setor do bacalhau. Apesar disso,o país não é um produtor do peixe, mas atua na cadeia importando o peixe inteiro (frequentemente o Gadus macrocephalus do Pacífico) para processamento de filés e reexportação em larga escala.
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