
Etanol produzido no Brasil, a partir de cana, é um dos produtos mais sustentáveis
José Cruz/Agência Brasil
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Bioenergia Brasil rebateram os recentes questionamentos do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. As entidades esclarecem que a tarifa de importação aplicada pelo Brasil não é uma retaliação específica aos EUA, mas uma conformidade com a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul.
A manifestação ocorre em um momento de pressão diplomática por parte do governo norte-americano. Na visão das associações que representam o setor no Brasil, eventuais divergências devem ser resolvidas via diálogo, preservando a agenda comum de transição energética entre as duas nações.
Reciprocidade e protecionismo no mercado
As entidades brasileiras destacam que a crítica norte-americana ignora políticas de proteção mantidas por Washington há décadas. Segundo a nota oficial, os EUA utilizam um sistema de tarifas proibitivas e cotas rigorosas que limitam a entrada do açúcar brasileiro.
Atualmente, o volume de exportação de açúcar do Brasil para o mercado norte-americano representa menos de 1% das exportações totais do país. Para o setor, essa barreira histórica demonstra que as dificuldades de acesso ao mercado são recíprocas e muitas vezes iniciadas pela política externa dos Estados Unidos.
Papel do etanol na descarbonização global
O setor reforça que o etanol brasileiro é uma das soluções mais eficientes do mundo para a descarbonização dos transportes. O termo descarbonização refere-se ao processo de redução das emissões de gases de efeito estufa, substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis.
A produção nacional combina critérios auditáveis de sustentabilidade com baixa intensidade de carbono. Isso coloca o combustível alinhado às agendas globais de segurança energética e desenvolvimento sustentável, sendo peça-chave na transição para uma economia de baixo impacto ambiental.
Expectativa por negociação diplomática
A UNICA e a Bioenergia Brasil manifestam confiança na condução do tema pelo governo federal. As associações esperam que o processo seja guiado por responsabilidade e competência diplomática, defendendo os interesses estratégicos do agronegócio nacional.
A posição oficial do setor é de que as relações bilaterais são historicamente relevantes. Por isso, o objetivo deve ser o fortalecimento da promoção dos biocombustíveis em escala mundial, evitando que disputas tarifárias isoladas prejudiquem a cooperação técnica e comercial entre Brasil e Estados Unidos.
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