
Carne de frango inicia abril com tendência de alta devido ao preço do diesel
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O movimento de queda nos preços da carne de frango, observado desde o início de 2026, foi interrompido nos últimos dias de março. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a reação nos valores está diretamente ligada ao aumento nos custos de frete em todo o país.
A pressão logística é um reflexo direto do cenário geopolítico global. O conflito no Oriente Médio resultou em uma forte valorização do petróleo, o que elevou o preço do óleo diesel nas bombas brasileiras. Diante desse cenário, a indústria de frango de corte passou a repassar os custos operacionais para o produto final.
Levantamentos realizados pelo Cepea indicam que praticamente todos os produtos avícolas acompanhados pelo instituto apresentaram elevação de preços entre os dias 24 e 31 de março, inclusive o ovo. O impacto foi sentido de forma imediata no atacado, revertendo uma tendência que se desenhava para o mês.
Em São Paulo, o frango congelado negociado no atacado chegou a registrar uma desvalorização acentuada de 6,2% até o dia 19 de março. No entanto, com a pressão dos combustíveis na última semana, o item encerrou o mês com uma queda tímida de apenas 0,3%, recuperando quase toda a margem perdida anteriormente.
A logística no agronegócio é um componente fundamental na formação de preços. Como a produção de frango depende de uma cadeia de transporte intensiva — que vai desde a entrega de ração nas granjas até a distribuição da carne para os centros urbanos —, qualquer oscilação no diesel impacta rapidamente a mesa do brasileiro.
Balanço do primeiro trimestre
Apesar da alta recente provocada pelo frete, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 ainda reflete um cenário de baixa. Esse comportamento foi motivado, principalmente, por um descompasso entre a oferta elevada e a demanda interna, que não acompanhou o ritmo de produção no período.
Dados consolidados mostram que o frango inteiro congelado, negociado na Grande São Paulo, acumulou uma desvalorização expressiva de 9,4% entre os meses de janeiro e março. O setor agora observa com cautela os desdobramentos do mercado de energia para entender se a alta de março é pontual ou se marca uma inversão de tendência para o próximo trimestre.
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