
Representantes setoriais afirmam que volume é insuficiente para atender os produtores
Divulgação/Fundação Cargill
O Ministério da Fazenda publicou uma portaria que autoriza o pagamento da equalização das taxas de juros em operações de renegociação de dívidas rurais. Contudo, o montante disponibilizado de R$ 25,8 bilhões é considerado insuficiente pelo setor produtivo, ficando distante dos mais de R$ 100 bilhões anunciados anteriormente pela equipe econômica.
A liberação dos recursos ocorre enquanto o Congresso Nacional instala a Comissão Mista da Medida Provisória 1.376/2026. A Frente Parlamentar da Agropecuária articula a aceleração da tramitação da MP para buscar melhorias no texto legislativo.
Impacto na carteira problemática do setor
A portaria autorizativa representa um dos ritos finais para disponibilizar o crédito aos produtores endividados e foi publicada nesta quinta-feira, 13. Os produtores rurais dispõem de um prazo de 90 dias para buscar as linhas de renegociação, o que gera pressão adicional devido ao volume limitado de recursos.
Os R$ 25,8 bilhões liberados equivalem a cerca de 13% da carteira problemática do agronegócio, estimada em R$ 197,2 bilhões segundo dados do Banco Central. O montante não contempla as Cédulas de Produto Rural emitidas por produtores para tradings e fornecedores.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso apontou que o volume disponibilizado frustra as expectativas do setor. A entidade destacou que, diante do patamar atual das taxas de juros, o alongamento de dívidas sem a compatibilização do custo financeiro com a geração de caixa pode transferir os problemas para os próximos anos.
Exclusão de instituições e distribuição dos recursos
Do total autorizado, cerca de R$ 24,1 bilhões destinam-se à agricultura empresarial, enquanto R$ 1,6 bilhão são voltados à agricultura familiar. Dez instituições financeiras estão habilitadas a operar o crédito equalizado, entre elas o Banco do Brasil, Sicredi, Sicoob e Cresol.
A ausência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social entre os agentes operadores foi criticada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso. A entidade avalia que a instituição financeira poderia ampliar as fontes de recursos e melhorar a distribuição dos limites entre os produtores.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

