Agroband

Cientistas apontam o potencial do açaí no combate à ansiedade e depressão

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará investigam os compostos naturais do fruto para avaliar efeitos neuroprotetores em transtornos mentais

Da redação
DA REDAÇÃO

14/08/2026 • 14:33 • Atualizado em 14/08/2026 • 14:33

O açaí, fruto amplamente consumido em diferentes regiões do Brasil, tornou-se objeto de pesquisas inovadoras conduzidas pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Além do sabor e do valor energético, cientistas analisam o potencial da fruta no auxílio ao combate à ansiedade e à depressão.

Compartilhar

O Brasil produz anualmente mais de 1,7 milhão de toneladas de açaí, com liderança do estado do Pará na produção nacional. O fruto serve como base econômica para comunidades na região Norte e integra a cultura alimentar brasileira de diversas formas, seja consumido com peixe e farinha na região Norte ou como sobremesa doce no Sul e Sudeste.

O papel das antocianinas na saúde do cérebro

O foco atual da investigação reside na atuação do açaí sobre a saúde neurológica. Especialistas da Faculdade de Farmácia da UFPA estudam os compostos naturais do fruto, destacando as antocianinas. Esses elementos, responsáveis pela coloração roxa, possuem reconhecida ação antioxidante e anti-inflamatória.

Segundo os cientistas, tais substâncias podem proteger o sistema nervoso e auxiliar na mitigação de transtornos como ansiedade e depressão. Os pesquisadores formularam a hipótese de que o açaí poderia apresentar um efeito ansiolítico e antidepressivo.

Testes iniciais em fase pré-clínica já demonstram resultados comportamentais positivos. A expectativa é que, no futuro, os dados contribuam para novas estratégias de prevenção e cuidados com a saúde mental.

Parceria internacional e próximas etapas

O projeto conta com cooperação internacional da Universidade de Coimbra, em Portugal. O objetivo conjunto é compreender de que maneira o açaí modula as sinapses e proporciona o efeito neuroprotetor ao sistema nervoso central.

Para isolar os efeitos com precisão, a equipe utiliza um suco de açaí clarificado desenvolvido exclusivamente para o estudo. A fase seguinte consiste na criação de um modelo animal para induzir danos ao sistema nervoso e verificar se o fruto exerce de fato proteção neuroprotetora.

Apesar dos avanços promissores, os pesquisadores enfatizam que o alimento ainda não substitui os tratamentos e medicamentos atuais. Novas etapas científicas são obrigatórias para que o açaí receba a classificação de alimento nutracêutico com benefícios validados para a saúde mental.

Tópicos relacionados