
Excesso de umidade nas lavouras pode interromper ciclo de redução de preços no café
Pixabay
O café é a segunda bebida mais consumida no Brasil e perde apenas para a água. Nos últimos anos, devido às irregularidades climáticas em várias partes do mundo, o preço do café disparou e os consumidores brasileiros reclamaram bastante. A esperança, porém, estava na recuperação da produção brasileira de cafés neste ano, só que as chuvas que atingiram as regiões produtoras - Minas Gerais e São Paulo - nas últimas semanas pode ser um “banho gelado” nos apreciadores do café e que esperavam preços mais baixos.
De acordo com as análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Usp), o maior desafio é devido aos grandes volumes de chuva nas regiões citadas, que produzem o café arábica. Tradicionalmente, o período é marcado por poucas chuvas, o que favorece a colheita, mas o cenário climático de 2026 alterou completamente o planejamento dos cafeicultores.
Segundo os pesquisadores do Cepe , o excesso de umidade registrado nas lavouras neste mês tem causado prejuízos diretos na lavoura. O volume atípico de água contribui para a queda de grãos dos pés e inviabiliza a secagem adequada nos terreiros, processo essencial para manter o padrão de qualidade do café.
Além das perdas físicas na colheita, o ambiente úmido favorece o desenvolvimento de mofo nos grãos, tanto naqueles que já caíram no solo quanto nos que permanecem na planta. Agentes de mercado consultados pelo Cepea demonstram apreensão com o cenário, uma vez que a manutenção da qualidade é crucial para a valorização dos lotes.
Reflexos na safra futura e estoques mundiais
A preocupação dos produtores estende-se para o ciclo produtivo do próximo ano. De acordo com os especialistas, as condições climáticas atuais podem induzir o florescimento antecipado dos cafezais, um fator que gera instabilidade para a safra que será colhida em meados de 2027.
O Brasil desempenha um papel estratégico na oferta global de café. Com os estoques mundiais apertados, o mercado internacional mantém forte dependência da produção brasileira para elevar o suprimento de café arábica, tornando qualquer variação na oferta nacional um ponto de atenção para a economia global
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