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Neem: planta indiana surge como aliada natural no combate à dengue

Árvore de origem asiática possui propriedades biocidas que interferem no ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti

Da redação
DA REDAÇÃO

21/01/2026 • 17:11 • Atualizado em 21/01/2026 • 17:11

Neem tem ação repelente

Neem tem ação repelente

IAGRO/MS

O Neem (Azadirachta indica), uma árvore originária da Índia e da Birmânia, tem se destacado como uma ferramenta biológica estratégica no controle do mosquito transmissor da dengue. Conhecida por sua resistência e versatilidade, a espécie contém compostos ativos, como a azadiractina, capazes de repelir e interromper o desenvolvimento de centenas de pragas, incluindo o Aedes aegypti. No Brasil, pesquisadores e órgãos do setor agrícola avaliam o uso de seus extratos como uma alternativa sustentável aos inseticidas químicos tradicionais.

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Há vários séculos, ingleses descobriram que a planta tinha ação repelente, mas somente nos anos 50 é que foram desenvolvidas pesquisas científicas em laboratório, quando constataram também sua ação inseticida. A partir daí, os experimentos comprovaram que o neem é a principal espécie vegetal com ação inseticida 100% natural, que auxilia no controle de insetos indesejáveis, sem agredir a saúde humana, os animais e o meio ambiente. Além de natural, os produtos derivados desta planta apresentam propriedades medicinais, biocontroladoras, ação antisséptica, cicatrizante e imunoestimulantes.

Os efeitos desta planta são tão interessantes que o Conselho Nacional de Pesquisas (National Research Council) de Washington (EUA) chama o neem de “a árvore para resolver os problemas globais”. Já representantes da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) dizem que ela é “uma das maiores dádivas para a humanidade”.

Como o Neem atua contra mosquitos

A eficácia do Neem contra insetos deve-se principalmente à azadiractina, substância que atua por contato e ingestão. Esse composto interfere no sistema hormonal dos mosquitos, inibindo a alimentação e bloqueando o processo de metamorfose, o que impede que as larvas cheguem à fase adulta.

Além da azadiractina, a planta possui meliacina e salanina, outras substâncias biocidas que reforçam sua ação repelente. Diferente dos venenos sintéticos, o Neem é biodegradável e apresenta baixa toxicidade para mamíferos, o que facilita seu manejo em áreas rurais e jardins domésticos.

Eficácia: plantio versus extratos processados

Embora exista um mito popular de que ter a planta no quintal seja suficiente para afastar o mosquito, especialistas da Embrapa alertam para as nuances do uso. O simples cultivo do Neem no ambiente oferece uma repelência paliativa e temporária, semelhante ao efeito da citronela.

O controle real da população de mosquitos ocorre com o uso de extratos processados ou óleos aplicados diretamente em criadouros e superfícies. Documentos oficiais de saúde reforçam que nenhuma planta substitui a necessidade de eliminar focos de água parada, mas o Neem atua como uma barreira química natural complementar.

Diretrizes para o cultivo da espécie

Para produtores e entusiastas que desejam cultivar o Neem, a planta exige condições específicas para prosperar e manter suas propriedades ativas:

  • Solo: Deve ser bem drenado, evitando o encharcamento das raízes.
  • Clima: A espécie é típica de regiões tropicais e não tolera geadas.
  • Luminosidade: O plantio deve ser feito a pleno sol para garantir o crescimento pleno, podendo a árvore atingir até 25 metros de altura.
  • pH do solo: O índice ideal para o desenvolvimento do Neem situa-se entre 6,2 e 7,0.

Cuidados e preservação de polinizadores

Apesar de ser um potente inseticida natural, o uso do Neem exige cautela. Aplicações incorretas de extratos podem afetar insetos benéficos, como as abelhas polinizadoras. A orientação técnica é realizar o controle de pragas preferencialmente no final do dia, quando a atividade dos polinizadores é menor, garantindo que a arma contra a dengue não prejudique o equilíbrio do ecossistema local.

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