
Nova onda de calor atinge o Brasil a partir de domingo (25)
Foto: José Fernando Ogura | AEN
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta para a chegada de uma forte onda de calor nesta última semana de janeiro de 2026. Os termômetros devem superar os 38°C em Mato Grosso do Sul e em parte da Região Sul, elevando o risco de estresse hídrico nas lavouras.
Enquanto o calor extremo atinge o interior do país, a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) provoca chuvas persistentes e volumosas no Sudeste e Centro-Oeste. Esse cenário híbrido de extremos climáticos impõe desafios imediatos ao manejo das culturas de verão, como soja e milho.
O impacto do calor extremo no campo
A elevação das temperaturas médias, com máximas entre 34°C e 38°C no oeste de Mato Grosso do Sul e interior do Nordeste, preocupa especialistas do setor. O calor excessivo acelera o ciclo biológico das plantas, o que pode reduzir o tempo de enchimento de grãos e, consequentemente, o peso final da colheita.
Além disso, o estresse térmico aumenta a evapotranspiração, exigindo maior disponibilidade de água no solo. Nas áreas onde as chuvas foram irregulares, a combinação de alta temperatura e baixa umidade pode causar perdas irreversíveis na produtividade.
Chuvas excessivas e riscos fitossanitários
Em contrapartida, estados do Sudeste e partes do Centro-Oeste enfrentam o desafio oposto. A segunda ZCAS do ano mantém o tempo fechado com acumulados significativos, especialmente no litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
A umidade excessiva dificulta os tratos culturais, como a aplicação de defensivos e fertilizantes. O solo encharcado impede a entrada de máquinas pesadas na lavoura, atrasando o cronograma de manejo. Outro ponto crítico é o favorecimento de doenças fúngicas, que se espalham rapidamente em ambientes quentes e úmidos.
Perspectivas para a safra 2025/26
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 é estimada em 354,7 milhões de toneladas. No entanto, o órgão ressalta que a irregularidade climática de janeiro é um fator de risco que pode alterar esses números nos próximos levantamentos.
Até o momento, não há uma quantificação financeira das perdas, pois a colheita ainda está em estágios iniciais e médios na maior parte do país. O monitoramento contínuo das condições meteorológicas será decisivo para os resultados finais do agronegócio brasileiro neste ciclo.
Entenda os termos técnicos
Para o produtor e o leitor interessado, é importante compreender os fenômenos mencionados. A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é um corredor de umidade que desce da Amazônia e se instala sobre as regiões Central e Sudeste, provocando chuvas por vários dias seguidos.
Já o estresse hídrico ocorre quando a planta perde mais água para o ambiente do que consegue absorver pelas raízes, prejudicando seu desenvolvimento. O manejo correto e o acompanhamento das previsões oficiais do INMET seguem como as melhores ferramentas de defesa do produtor rural.
