
Tilápia é o peixe mais produzido no Brasil
Divulgação/PeixeBR
Impulsionado pelo consumo durante a Quaresma, o mercado de peixes de cultivo registrou um primeiro semestre positivo em 2026, mantendo a trajetória de crescimento consolidada na última década. A tilápia, principal produto da aquicultura nacional, responde por cerca de 70% da produção e permanece como a espécie preferida dos brasileiros, seguida pelo tambaqui entre os peixes nativos.
Apesar do desempenho favorável no mercado interno, a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) aponta um cenário de cautela no comércio internacional. Segundo o presidente executivo da entidade, Francisco Medeiros, a recente mudança tarifária para 25% na importação trouxe um ritmo mais morno aos negócios globais. "Acreditamos em uma possível retomada nos volumes de exportação no segundo semestre, porém, tudo depende das decisões de política externa entre Brasil e Estados Unidos", destaca Medeiros.
Desafios regulatórios e competitividade internacional
Além das questões comerciais, a cadeia produtiva enfrenta desafios regulatórios estratégicos. O Governo Federal incluiu o tambaqui na lista de espécies em risco de extinção, medida que, embora vise a conservação ambiental, preocupa o setor devido a possíveis barreiras à exportação. De forma semelhante, a tilápia é alvo de discussões no IBAMA e no Ministério do Meio Ambiente sobre um possível enquadramento como espécie exótica invasora. Segundo a PEIXE BR, tal classificação poderia restringir o crescimento, a comercialização e a exportação da espécie.
Outro ponto crítico é a abertura do mercado brasileiro para a tilápia vietnamita. Medeiros ressalta que a política de subsídios do país asiático torna o produto estrangeiro artificialmente competitivo frente ao nacional. "A importação, nos moldes atuais, está impactando muito a comercialização de filé de tilápia no Brasil. Os custos de produção entre Vietnã e Brasil são semelhantes, mas a política de estímulos e subsídios do governo vietnamita permite que o produto chegue ao mercado brasileiro por um preço inferior ao custo da matéria-prima produzida aqui", afirma. Além disso, a entidade alerta para preocupações com riscos sanitários.
Apesar dessas incertezas, a expectativa para o restante do ano é otimista. Historicamente, o consumo de pescado aumenta no fim do terceiro trimestre, influenciado pela elevação das temperaturas nas regiões Sul e Sudeste. O setor aposta na resiliência do mercado de peixes de cultivo e na estabilização das questões regulatórias para retomar o fôlego nas exportações
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